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A primeira de Lula
      O presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou o ano com o pé direito. Entrevistado pelo jornalista Pedro Bial, da TV Globo, o ilustrado soltou esta pérola: “O que é importante não é se você sabia ou não, porque, se eu tivesse condições de saber não teria acontecido”. Sua declaração foi respondendo à pergunta se sabia ou não do esquema do mensalão.
      Resposta de quem não tem o que responder, mas precisa continuar negando o óbvio. Ao mais erudito dos professores de português será impossível traduzir o que o presidente tentou definir na sua truncada frase.
      Ao deixar claro que o problema não é dele, mais uma vez o presidente Lula tentou criar uma cortina de fumaça sobre a estarrecedora onda de corrupção que varre o seu partido.
      Misturando os pronomes, o presidente continuou destilando a sua cultura: “Só há três hipóteses de você saber: quando participa da reunião, quando alguém que participou te conta ou por denúncia”. Ele esqueceu uma quarta hipótese: quando o presidente da República comanda de fato e de direito e tem nos cargos principais de seu governo pessoas leais e inteligentes e quando ele próprio, o presidente, está interessado nos assuntos internos e não preocupado em vôos a redutos distantes.
      Tentando defender o Partido dos Trabalhadores, o presidente afirma que “o erro foi cometido por meia dúzia, o que não significa que o partido errou”. Mais à frente, parecendo arrependido do que afirmara, é enfático: “O PT cometeu erro de gravidade incomensurável e tem consciência da encalacrada que se meteu”. O Dicionário Aurélio define incomensurável assim: “... que não tem medida com outra grandeza; enorme, imenso, desmedido”. Como uma meia dúzia, ainda que composta de delúbios ou dirceus, poderia cometer erro de tamanha envergadura? Uma coisa ele afirmou e é certa: o PT está encalacrado e não será com respostas evasivas que o presidente conseguirá modificar o atual quadro.
      Ao eximir-se da culpa pela crise política no seu governo e admitir que recebeu uma facada nas costas de alguns de seus aliados, o presidente reconhece publicamente a sua fragilidade como comandante e a incapacidade de sua equipe para governar um país das dimensões geográficas do Brasil e suas conseqüentes implicações sociais e políticas.
      Para encerrar, Lula afirmou que não cabe ao presidente julgar nada, e sim às CPIs, e no fim dos trabalhos desenvolvidos pelas comissões, pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, exigirá desculpas dos que hoje o acusam.
      E mais não disse. Felizmente.