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Comandante
da PM quer a aproximação
da polícia com a sociedade
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EXCLUSIVA
PM se reúne com moradores
Comandante do 28º BPM tem encontro com
moradores da Vila Brasília
VOLTA
REDONDA - O comandante do 28º Batalhão
de Polícia Militar (28º BPM),
coronel Jorge Freitas, reuniu-se ontem, à tarde,
com uma comissão de moradores
do bairro Vila Brasília, que foram
pedir para que se faça justiça
com relação à morte
do operário Luiz Carlos de Souza,
34 anos, ocorrida no final da noite de
quarta-feira. Luiz Carlos foi morto com
um tiro nas costas pelo PM Muniz que,
em companhia de outro policial, foi à Rua
C, naquele bairro, apurar uma denúncia
anônima de tráfico de droga.
Muniz pertence ao Serviço Reservado
(P-2) do 28º BPM e está respondendo
a Inquérito Policial Militar (IPM).
Ele também responderá a
inquérito pela morte do operário
na Justiça comum. “A Justiça é que
vai decidir. A Justiça é para
fazer justiça. Estou analisando
os dois lados e garanto que a justiça
será feita”, enfatizou o
coronel.
Além da esposa de Luiz Carlos,
Uesliana Vanessa da Silva, participaram
da reunião - que durou mais de
uma hora - o cunhado da vítima,
Celso Luis Gomes, o presidente da Associação
de Moradores da Vila Brasília,
Jair Finuti, e diretores.“A sociedade
está doente”, disse o comandante,
pedindo o apoio da comunidade organizada
para combater a violência, tanto
por parte dos marginais quanto da própria
polícia. “Tenho 600 homens
e não há como vigiar todos
eles nas ruas. Não é possível
que todos trabalhem certinho. Dos 40
policiais que fazem o policiamento ostensivo,
15 estão respondendo a processo
administrativo (inquérito policial)
por má conduta ou abuso de autoridade.
Quando eles erram e são denunciados,
são punidos. Se ele errou vai
pagar a conta dele com a Justiça.
Estou aqui para apoiar o que é certo.
Dentro da lei. Trabalho para o povo e
para o Estado, sempre com transparência.
Mas não se pode culpar toda uma
corporação pelo erro de
um policial. O meu papel (dever) é defender
a comunidade, a sociedade. Temos que
respeitar o espaço dos outros.
Todos os dias vêm pessoas aqui
no batalhão falar comigo com todo
tipo de problema. Recebo todos sempre
com uma palavra de paz. Mas há problemas
em todos os segmentos da sociedade e
quase sempre é o pobre quem paga
a conta”, frisa o coronel Freitas.
APROXIMAÇÃO E APOIO DA
COMUNIDADE
O comandante disse que para tentar aproximar
a comunidade da polícia realiza,
há dois anos, todos os meses,
um café comunitário nas
cidades cobertas pelo batalhão. “Nesses
encontros os moradores sinalizam os problemas.
As pessoas (empresários, políticos
e a sociedade em geral) têm que
participar, com a realização
de um programa sério para melhorar
a vida dos outros. Têm que ser
atuantes sempre e não só na
hora em que acontece o problema. Tem
que haver um projeto sério de
aproximação da polícia
com a sociedade, com a realização
de palestras, de programas antidrogas.
Temos que criar um programa social sério
para tirarmos os jovens das ruas e do
crime. É preciso também
que se faça um trabalho no seio
da família. Se isso não
acontecer sempre haverá divergências
entre as duas partes e a tendência é que
a situação fique cada vez
mais grave. Caso contrário, os
conflitos só vão aumentar.
Cria-se uma animosidade entre a polícia
e a comunidade. O povo tem que estar
cada vez mais próximo da polícia.
Tem que haver um trabalho de base muito
bem feito para que se acabe com esse
ranço, que vem de muitos anos.
Temos que arrumar emprego para os jovens,
dar-lhes estudo e abrir creches para
que as mães possam trabalhar fora.
Concordo que os moradores querem a polícia
no bairro, mas não aquela polícia
que tenha problemas com a comunidade.
Quem não quer polícia é o
bandido. A arma é para ser usada
dentro da lei. Para que se faça
justiça. Mas, para isso, temos
que separar quem é do lado do
bem e quem é do mal. Quanto mais
a comunidade proteger bandido pior será,
porque eles vão contaminando os
que estão crescendo. Não
pode acolher, acoitar, porque pilantra é pilantra.
Ao bandido, o rigor da lei. A comunidade
tem que ter consciência disso”,
enfatizou o coronel.
Em tom cordial, calmo e amigo, o coronel
Jorge Freitas se colocou à disposição
dos moradores do bairro para receber
qualquer tipo de denúncia contra
os que ele chamou de “maus policiais”. “Para
isso deixei o meu telefone pessoal com
vocês. Para que denunciem qualquer
tentativa de intimidação
de testemunhas. A vontade de fazer justiça
tem que se sobrepor a tudo”.
Afirmando
estar satisfeitos com a conversa que
tiveram com o comandante, os membros
da comissão garantiram que acompanharão
o processo judicial de perto. “Não
quero que ele (policial) faça
com outra pessoa o mesmo que fez com
meu marido”, alertou Vanessa.
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