Voltar Cris Oliveira
Integrantes dos movimentos e pastorais assinam documento de 40 páginas

Documentos sobre violência serão enviados ao secretário de Segurança Pública

      VOLTA REDONDA - O Movimento Resgate da Paz, com apoio das Pastorais Carcerária, Pacificação e da Família, Movimento Resgate pela Paz (MEP) e Grupo de Mães de AMA-PAZ, enviará hoje para o secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, Marcelo Itagiba, dois documentos. Um sobre a violência na cidade e outro refletindo a preocupação dos movimentos sobre a decisão da governadora Rosinha Garotinho de transferir os presos da Polinter para casas de custódia.
      De acordo com o coordenador do Resgate da Paz, padre Juarez Sampaio, o dossiê sobre a violência em Volta Redonda retrata os números de mortes em 2005. “Foram 78 homicídios de pessoas moradoras da cidade e mais 30 de outros municípios. Estamos relacionando também os casos de violência policial. No ano passado oito pessoas foram mortas por policiais”, diz. A expectativa dos movimentos é obter uma resposta positiva do secretário de Segurança Pública, assim como providências para os casos, tanto com relação aos homicídios cometidos por policiais quanto os crimes que ainda estão impunes na cidade.
      Segundo padre Juarez Sampaio, a notícia da governadora também não agradou aos movimentos da diocese. Com a transferência dos presos da Polinter para as casas de custódia, poderá ocorrer a superlotação. Quem compartilha da opinião é o coordenador Diocesano da Pastoral Carcerária, Gianfranco Orfano. O fato de vir presos condenados para a cidade também é preocupante, embora a notícia que o coordenador tenha é de que ainda existem alguns nessa situação na Casa de Custódia. “O local foi construído com a condição de que não abrigaria presos condenados. Se com a desativação virem presos que estão aguardando julgamento, ainda assim teremos problemas com a superlotação”, destaca.
      Esse é um problema que ainda não afeta a Casa de Custódia de Volta Redonda. Até sexta-feira, dia da última visita da Pastoral Carcerária, havia 237 presos. A capacidade é de 300. “Existem muitos presos da região que estão na Polinter. Esperamos que esse documento surta efeito. É preciso consciência de que o sistema prisional não se faz amontoando pessoas, mas sim com dignidade”, afirma Gianfranco Orfano.
      Serão relacionadas ainda nos documentos enviados a Marcelo Itagiba as ações dos Movimentos Resgate da Paz e Ética pela Política. Os dossiês com 40 páginas foram assinados pelos coordenadores dos movimentos e pastorais que apoiaram a iniciativa.