Voltar Cloves Alves
SERGIO Rezende visita INB

ENRIQUECIMENTO DE URÂNIO
Ministro visita INB
Sérgio Rezende deve anunciar inauguração
da fabrica

     RESENDE - O ministro da Ciência e Tecnologia (MC&T), Sérgio Rezende, visitará as instalações das Indústrias Nucleares do Brasil sexta-feira, às 15 horas, acompanhado do presidente da empresa, Roberto Esteves. Sérgio Rezende deve anunciar a inauguração da Fábrica de Enriquecimento de Urânio - a mais nobre etapa do ciclo do combustível nuclear. Com o enriquecimento de urânio o Brasil entrará no seleto grupo de oito países que detêm a tecnologia.
     Utilizando parte das instalações da INB, será implantada a primeira usina brasileira de enriquecimento de urânio em escala industrial, através da tecnologia de ultracentrifugação. Contrato entre a INB e o Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP) vai permitir um projeto com implantação modular e a instalação da primeira cascata. Os reatores a água leve pressurizada (PWR) adotados pelo Brasil para a geração de núcleo-eletricidade no país utilizam para sua operação o urânio, que deve ser levemente enriquecido, ou seja, o isótopo leve urânio 235, que ocorre no urânio natural com uma proporção de 0,72%, deve ser enriquecido em cerca de 3,5%. Com o projeto o Brasil fortalece o abastecimento interno e se destaca no cenário mundial.
     A fase de testes da primeira cascata de ultracentrífugas foi iniciada em 2005 e constou das atividades de desgaseificação, passivação e comissionamento. Atualmente, a cascata encontra-se em fase de pré-operação, com previsão de término neste mês, quando deverá ser inaugurada e, então, iniciada a produção em escala industrial. As restrições orçamentárias têm imposto um ritmo mais lento à implantação do projeto. A primeira etapa, que corresponde a uma capacidade de 114.000 UTS (60% das necessidades de Angra 1 e 2), estava inicialmente prevista para 2008, mas foi adiada para 2010.
     Os inspetores da Agencia Internacional de Energia Atômica (Aiea), da Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (Abacc) e da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cenen) estiveram diversas vezes em Resende para acertar os detalhes do Acordo de Salvaguardas e realizar inspeções negociadas. Nos testes foram utilizadas apenas máquinas de primeira geração e foi produzida uma quantidade mínima de urânio enriquecido apenas para ajustar a cascata aos parâmetros da produção industrial e coletar amostras para atender aos requisitos da Cnen e das agências.O material excedente das aplicações foi armazenado em um cilindro especial. O processo de enriquecimento não produz resíduos. Parte do urânio natural é transformada em urânio enriquecido e parte em urânio empobrecido. Ambas as partes são armazenadas em cilindros especiais distintos em local licenciado para tal finalidade.
     A produção industrial é um marco importante por ser o coroamento de um trabalho árduo que foi iniciado pela Marinha na década de 80 e que agora alcança resultados práticos para o país, que poderá gradualmente ir substituindo a importação dos serviços de enriquecimento de urânio.
     Igualmente, qualifica o país como detentor da capacidade de enriquecer urânio na Comunidade das Nações. Não existem mudanças na unidade de Resende, mas sim o prosseguimento da execução de um cronograma que começou com a primeira cascata do módulo I e, em 2006, continuará com a instalação da segunda cascata e assim por diante.
     A Ploa de 2006 prevê R$ 22,4 milhões para o projeto. A produção prevista para os próximos anos está destinada exclusivamente às usinas Angra 1 e 2. Para Angra 3 é necessária uma nova expansão do empreendimento, se ela vier a ser construída

Energia do urânio

     A energia elétrica por fonte nuclear é obtida a partir do calor da reação do combustível (urânio) utilizando o princípio básico de funcionamento de uma usina térmica convencional, que é sempre igual à queima do combustível, produz calor que ferve a água de uma caldeira, transformando-a em vapor. O vapor movimenta uma turbina que, por sua vez, dá partida a um gerador que produz a eletricidade.
     O uso da energia nuclear em lugar de centrais térmicas convencionais é uma forma de energia que não emite gás de efeito estufa (dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e outros) e nenhum gás causador de chuva ácida (dióxido de enxofre, óxidos de nitrogênio).