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Sepultada
mulher mais idosa
da região
VOLTA
REDONDA - Em clima de muita tristeza
e saudade, parentes e amigos velaram
e sepultaram, ontem, a mulher mais idosa
da região, a aposentada Francisca
Joana Graças, dona Chiquinha,
114 anos. Ela, que morreu em casa na
tarde de terça-feira, no bairro
Açude, foi velada durante o dia
na Capela Mortuária do município
e sepultada à tarde, no Cemitério
de Amparo, distrito de Barra Mansa.
Dona Chiquinha era conhecida em todo
o município, pois em 2002 e 2003
desfilou num carro alegórico no
Bloco da Vida, composto por pessoas da
terceira idade. A idosa, que em todos
os desfiles que fez se mostrou animada
e alegre, foi o centro de atenções
do Bloco da Vida. Para os amigos do bloco
e parentes, a cidade não perdeu
apenas a figurante de uma agremiação,
mas a mulher mais velha da cidade e região.
FELIZ E ANIMADA
Aos 114 anos, dona Chiquinha, mesmo
com a saúde debilitada, era feliz
e animada. A informação é dos
parentes, que sempre a consideraram uma
lição de vida para todos.
Os amigos também estão
tristes com a partida de dona Chiquinha. É o
caso da aposentada Ilceia Holanda Ribeiro.
Segundo ela, a animação
no Bloco da Vida não deixará de
existir, mas este ano, com certeza, todos
vão sentir a falta da dona Chiquinha,
uma das inspirações de
todos os componentes do bloco. “Senti
muito a morte dela. Era uma figura importante
e incentivadora. Sabemos que vai deixar
muita saudade, não só aos
parentes, mas também aos amigos.
Era uma mulher idosa, mas de fibra”,
diz Holanda.
Nascida no dia 15 de agosto de 1891,
em São Bento, interior da Bahia,
Francisca Joana residiu na Cidade do
Aço durante 40 anos. Mãe
de cinco filhas, as quais criou sozinha,
sendo quatro biológicas e uma
adotiva, dona Chiquinha era o orgulho
da família, vizinhos e amigos.
No bairro Açude, era conhecida
por quase todos os moradores. Para o
estudante Adeilson de Paula, 23 anos,
que mora no bairro desde que nasceu,
dona Chiquinha foi um grande exemplo
de vida para todos, principalmente para
a juventude.
PRIMEIRA PERDA
Em fevereiro de 2004, o Bloco da Vida
e a cidade tiveram a primeira grande
perda em relação a figuras
históricas. Na ocasião
morria a aposentada Maria Vitória,
aos 103 anos. Ela também era considerada
uma das mulheres mais idosas da cidade.
Como dona Chiquinha, dona Vitória
era alegre e descontraída. Quando
faleceu, ela morava na Rua São
João e era totalmente lúcida.
Em uma conversa com a equipe de A VOZ
DA CIDADE, a aposentada garantiu que
era ela mesma que preparava suas refeições
e fazia suas compras de supermercado.
Disse na época que nunca gostou
que ninguém fizesse sua comida,
pois cozinhar era seu prazer, ainda mais
com gordura de porco. Dona Vitória
reconhecia que era uma das memórias
vivas de Volta Redonda.
Nascida em 20 de fevereiro de 1901 em
Porto Novo do Cunha, Além Paraíba,
a aposentada chegou à Cidade do
Aço em 1942, no início
da construção da Companhia
Siderúrgica Nacional (CSN), quando
tudo ainda era apenas o terreno e a vontade
dos trabalhadores em construir a maior
usina siderúrgica da América
Latina.
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