| VAIAS
E APLAUSOS
Audiência pública do Fundamp
Plenário da
câmara fica lotado
com a presença de servidores;
votação
pode acontecer terça-feira
CAROL MACEDO
BARRA
MANSA - Mais de 100 pessoas compareceram
na manhã de ontem, na Câmara
Municipal, para a audiência pública
que discutiu o aumento da contribuição
do Fundamp de 5% para 9,1% na folha de
pagamento. Após muita explanação
sobre o tema, entre vaias e aplausos
dos presentes, ficou decidido que acontecerá uma
sessão extraordinária terça-feira
para encaminhar a votação
dentro do mérito da matéria.
De acordo com o presidente da câmara,
Ademir Melo (PSDB), os vereadores terão
até a data marcada para analisar
as propostas apresentadas e, se encontrarem
dúvidas ou proporem modificações,
a matéria será votada em
outra sessão.
Estiveram presentes vereadores, membros
dos sindicatos do Funcionalismo e dos Profissionais
de Educação (Sepe-BM), o
diretor Executivo do Fundamp, José Márcio,
representante do Conselho Deliberativo
do Fundo, Luis Carlos Guimarães,
o procurador Jurídico da prefeitura,
Ronaldo Barbosa e o advogado da Casa de
Saúde Santa Maria, Carlos Elias
Curty. Os funcionários públicos
estavam representados pelos dois sindicatos,
que fizeram algumas propostas parecidas,
criticando a falta de uma contrapartida
do prefeito no Fundamp.
“
Tudo isso está acontecendo por culpa
dele (prefeito), que não quer dar
nada, mas quer nomear pessoas para o Fundamp.
Defendo que ele deva dar uma contribuição
para o Fundo e não deixar somente
os servidores arcarem com isso”,
disse o presidente do Sindicato do Funcionalismo,
José Francisco Campanelli. Um dos
diretores do Sepe, Pedro Ney Maximiniano,
afirmou que o sindicato pensa da mesma
maneira, já que a saúde,
por lei, é uma obrigação
do município. “A Prefeitura
do Rio de Janeiro contribui com 3% na saúde
dos servidores”, contou Pedro Ney,
acrescentando que se um aumento real para
os servidores fosse dado pela prefeitura
a arrecadação do Fundamp
seria maior.
O presidente do Sindicato do Funcionalismo
foi além. Disse que o prefeito foi
negligente ao segurar durante três
meses o estudo feito pelo Fundamp e enviar
no final do ano a mensagem de aumento para
a câmara. “Se der errado alguma
coisa, o Fundamp fechar as portas, a culpa
ou será de um dos dois sindicatos
ou da câmara, porque ele (prefeito)
já tirou o dele da reta”,
disparou.
Com relação à indagação
dos sindicatos a uma contrapartida do prefeito,
o representante do chefe do Executivo,
Ronaldo Barbosa, disse que atualmente é praticamente
inviável essa medida, assim como
o aumento para os servidores. “O
governo já deu quatro aumentos na
sua administração”,
disse o procurador, que foi vaiado nesse
momento pelos presentes.
O Sepe ainda contestou a obrigatoriedade
do servidor na contribuição
para o Fundamp. “O sindicato entrou
com um mandado de segurança e desde
2004 os filiados que aceitaram não
pagam o fundo. Deveria ser assim para toda
a categoria”, sugeriu. De acordo
com Campanelli, essa questão já está sendo
tratada judicialmente pelo sindicato. Com
o aumento dos descontos para o Fundamp,
os profissionais da prefeitura serão
descontados na folha de pagamento em 20,1%,
sendo 9,1% do Fundo e 11% da Previdência.
DÍVIDA DO FUNDAMP
Atualmente, o Fundo de Assistência
Médica dos Servidores Públicos
de Barra Mansa tem uma dívida de
R$ 900 mil. O diretor Executivo do Fundamp
frisou que com o que é arrecadado
não dá para suprir as despesas.
O servidor paga R$ 27 ao Fundo, com aumento
pagará quase R$ 50. Após
um estudo feito pelo Conselho do Fundamp
chegou-se a três alternativas: a
autarquia virar um plano de saúde
- em que o servidor teria que pagar R$
200 e cada dependente a mesma quantia;
aumento de 4,1% ou o fundo virar um posto
de saúde. O aumento foi decidido
em assembléias setoriais. A proposta
do Sepe é de que o assunto fosse
amplamente discutido entre as bases para
mais tarde ser votado em assembléia
geral.
São, de acordo com José Márcio,
8,7 mil associados, sendo 4,6 mil funcionários
municipais e o restante, dependentes. O
Fundamp é conveniado com 23 clínicas,
nove laboratórios, seis hospitais
e 59 médicos.
O advogado da Casa de Saúde Santa
Maria, Carlos Elias Curty – um dos
hospitais a que o Fundamp deve, informou
que a dívida é de R$ 182,2
mil. As cirurgias eletivas não acontecem
mais, pois os anestesistas decidiram não
realizá-las. “Porém,
as consultas e cirurgias de emergências
continuam acontecendo e temos o interesse
de resolver essa situação.
Só não posso obrigar as pessoas
do hospital, pois eles não são
funcionários e sim, sócios”,
explicou.
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