Matar
antes de crescer
Em audiência
pública na Comissão de Relações
Exteriores e Defesa Nacional, o embaixador
Rubens Ricupero e sociólogo Hélio
Jaguaribe discutiram conosco, senadores
membros da comissão, as razões
pelas quais o Brasil se arrasta nas últimas
décadas, apresentando taxas de crescimento
muito aquém de sua potencialidade.
Na opinião de Jaguaribe, a política
econômica adotada pelo País,
voltada quase que exclusivamente para o
controle de inflação, defende
parâmetros macroeconômicos
de países desenvolvidos, que não
seriam propriamente os mais adequados à realidade
brasileira. Rubens Ricupero acrescentou
a necessidade de uma mentalidade nacional
de desenvolvimento, como a existente nos
chamados Tigres Asiáticos, onde
a sociedade incorpora o conceito de desenvolvimento
como uma constante.
Outra observação importante
desses ilustres estudiosos da economia
brasileira é que ambos concordam
que o País aguarda uma liderança
política que possa conduzi-lo a
dias melhores. Nesse aspecto, convém
observar que a estrutura social brasileira,
nos moldes como funciona, está criada
exatamente para obstruir tal objetivo,
já que predomina, pela desigualdade
social imensa, forças conservadoras
mantenedoras do establishment.
È
claro que o grande capital financeiro,
nacional e internacional, e parte do capital
industrial, são ligados aos grandes
grupos de comunicação de
massa, numa relação circular
de causa e efeito, em que um financia e
o outro defende seus interesses. Nunca
se viu na imprensa brasileira tamanho volume
de mistificação e exploração
descarada de jornalismo barato para manipulação
da opinião pública.
Caso mais recente foi o depósito,
realizado pelo PT, de 1 milhão de
reais na conta da Coteminas, como pagamento
atrasado de compra de camisetas. Ora, nos últimos
tempos, uma liderança política
despontava diante da opinião pública
por sua luta por mudanças na política
econômica, hoje defendidas por todos.
Então, alguém no governo
recebe, de maneira privilegiada e antecipada,
a informação do tal depósito,
obtida no Siafe. Aí se combina com
um jornal de grande circulação
a manchete de capa. No dia seguinte, outro
jornal importante repercute. Bastam dois.
Forma-se assim um pseudoclamor público.
Em seguida, se divulga que a Polícia
Federal vai pedir quebra de sigilo, que
a CPI tal vai convocar, investigar, isso
e aquilo.
É
de se supor que, por trás disso,
existe a defesa intransigente de interesse
de grupos que se sentem prejudicados caso
uma nova liderança política
traga perigo aos ganhos imorais obtidos
com uma taxa de juros nos córneos
da lua neste cassino financeiro que é o
Brasil.
Senador Marcelo
Crivella
Transcrito da Folha Universal – edição
716
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