Voltar Cris Oliveira

CHEQUE CIDADÃO
Demora gera reclamação
Benefício não é entregue desde novembro

     VOLTA REDONDA - A demora na entrega do Cheque Cidadão está gerando reclamações das famílias que dependem desse beneficio. De acordo com os reclamantes, há meses o cheque não chega na data certa. Eles dizem que em novembro receberam o último cheque e que até agora estão aguardando os próximos. Procurados pela reportagem de A VOZ DA CIDADE para falar sobre o caso, funcionários da Fundacão Leão XIII não souberam informar nada, lembrando apenas que a responsabilidade da fundação é somente a distribuição no município. Eles explicam que somente a governadora Rosinha Garotinho poderá dar mais detalhes sobre o caso.
     A maioria dos reclamantes afirma estar preocupada, pois se trata de uma ajuda importante para quem não tem onde buscar renda, mas eles temem ser punidos com o corte do beneficio caso reclamem0. É o caso da dona-de-casa A.S, 33 anos. Segundo ela, que é separada e mãe de cinco filhos, a demora na entrega tem desequilibrado seu orçamento. “Desde quando comecei a receber o Cheque Cidadão iniciei um programa orçamentário. Hoje, com a demora, tenho que me virar de outras formas. Por isso tudo está ficando complicado”, reclama, ressaltando que se o cheque não chegar o mais rápido possível as coisas para ela ficarão mais complicadas.

PROGRAMA ASSISTENCIAL

     O Cheque Cidadão é um dos programas assistenciais instituídos no governo Anthony Garotinho em novembro de 1999 e estendido ao governo Rosinha Garotinho. O projeto consiste em contemplar com cheques de R$ 100 famílias carentes de todo o Estado do Rio de janeiro com rendimento inferior a um salário mínimo. Para isso, as crianças das famílias beneficiadas são obrigadas a freqüentar a escola. Mas para alguns críticos, principalmente políticos, tanto a governadora quanto a ex-governador usam o benefício para aumentar o número de fiéis nas igrejas evangélicas e assim conseguir votos. O programa beneficia atualmente cerca de 27 mil famílias em todo o estado.
     Em 2002, quando deixou o governo estadual para se candidatar a presidente da República, Anthony Garotinho, que ainda pertencia ao PSB, já havia distribuido R$ 100 milhões em Cheque Cidadão, beneficiando milhares de famílias carentes em três anos de programa. Na ocasião, os evangélicos classificaram o programa como o principal do governo Garotinho sob o comando da então secretária de Ação Social, Rosinha Garotinho, hoje governadora. Para ser beneficiadas pelo projeto as famílias têm que provar que possuem renda máxima de um terço do salário mínimo por pessoa e que as crianças estão na escola e com a vacinação em dia. Cabe às igrejas reunir os documentos e entregar mensalmente ao governo as notas fiscais de comprovação das compras.
     A faxineira Elisângela Moreira, 45 anos, tem cinco filhos e ganha R$ 200 por mês fazendo faxina uma vez por semana. Solteira, sem nenhuma outra renda, ela teve o orçamento reforçado com o Cheque Cidadão. Por isso agora está preocupada.