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VICE-PRESIDENTE da associação de moradores conta ao advogado planos dos moradores

PARAÍSO DE CIMA
Sem-terra conseguem terreno
As 214 famílias do local terão agora suas casas construídas

     CAROL MACEDO
     BARRA MANSA -
Em 2002, algumas famílias se instalaram em um terreno no bairro Paraíso de Cima, na Periferia Leste. Eles eram chamados de sem-terra, até que este ano chegou a notícia para as 214 famílias do local que o terreno agora lhes pertence. Segundo o advogado que lutou pela causa, Deonil da Costa, a história foi baseada em muita luta, mas, finalmente, teve um final feliz. Depois de uma assembléia, no
NOTÍCIA da posse do terreno
deixa moradores felizes
último domingo, os moradores estão fazendo muitos planos.
     Deonil da Costa conta que em 2003 houve o pedido de reintegração de posse pela família que era dona do terreno e o prazo para desocupação era de 30 dias. O Governo do Estado, na pessoa do secretário de Ação Social, Fernando Willian, interviu e negociou a permanência dos moradores por três meses. A situação foi se prolongando até que a ação de desapropriação beneficiou os sem-terra do Paraíso de Cima. De acordo com o advogado, o próximo passo será a ida ao Rio de Janeiro para definir o projeto de construção das casas no local. O terreno tem 40 mil metros quadrados e o projeto será para abrigar 500 famílias.
     “ A ação do secretário de Ação Social foi muito rápida e me surpreendeu. Só temos que agradecer a ele por essa vitória”, declara o advogado, acrescentando que Jarbas Guilherme, que faz o cadastramento das pessoas do local, também precisa ser lembrado.
     Para Deonil da Costa, a felicidade dos moradores resume a luta durante esses anos. O vice-presidente da Associação de Moradores e Amigos do Bairro Paraíso de Cima, Antônio Geraldo Pacheco Colen, 47 anos, que mora no local desde o início, afirma que a vitória emocionou todas as famílias que agora podem ter paz, conforto e estabilidade. A primeira ação, após a construção das casas, é batizar o local como 7 de Janeiro, data em que tudo começou para eles. “Queremos também criar cooperativas, uma rádio comunitária e até uma escola. O problema é que 99% dos que moram aqui estão desempregados”, aponta.
     Esse problema de desemprego o advogado Deonil da Costa garante que será resolvido. É que o pedido da construção das casas será para que os próprios moradores sejam empregados na obra. A sobrevivência no local, de acordo com os moradores, é por intermédio de doações. Moram no terreno do Paraíso de Cima os antigos sem-terra, cerca de 780 pessoas, sendo que 147 são crianças de até dez anos.

EMOÇÃO

     Para Alcior Rodrigues de Almeida, 63 anos, a notícia de que a terra é deles deixou todos mais do que felizes. “Depois de tanta luta, humilhação, posso dizer que o fato significou muito para todos. Nos sentiremos mais alegres depois de construírem as nossas casas”, diz.
     Para Ioni Alves de Oliveira, 39 anos, que também está no Paraíso de Cima desde 2002, só o fato de não ter que se preocupar com a polícia de tirá-los do local a deixa emocionada. “Ninguém tinha para onde ir. Já tivemos que nos segurar para não ir embora depois de tanta humilhação”, encerra.