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ALÉM DA PIPOCA
O dabuloso destino de Amélie Poulain

     Quem disse que cinema se resume às superproduções hollywoodianas? Muito pelo contrário. Existe vida fora da indústria cinematográfica norte-americana. Prova disso são os franceses. Eles, os inventores do cinema, fazem (e muito bem) cinema de excelente qualidade com ótimos roteiros, atores e diretores, além de belíssimas fotografias. O que falta no cinema francês, assim como em qualquer outra produção fora EUA, é dinheiro para investir em efeitos especiais e atores consagrados. Mas isso não tira a beleza e a qualidade das fitas. Basta observar o cinema espanhol e o inglês, mas isso é assunto para outro dia.
     Hoje eu quero falar da produção francesa “O fabuloso destino de Amélie Poulain”, lançada em 2001, recebendo cinco indicações ao Oscar (melhor filme estrangeiro, melhor direção de arte, melhor fotografia, melhor som e melhor roteiro original) e dirigida por Jean-Pierre Jeunet e estrelada por dois atores desconhecidos na época: a estreante no cinema Audrey Tautou (Amélie Poulain) e Mathieu Kassovitz (Nino Quincampoix).
     A comédia é leve, feliz e conta a história da jovem Amélie Poulain que após deixar sua vida de subúrbio com a família, muda-se para o pequeno bairro parisiense de Montmartre. Lá, em sua casa, encontra escondido no banheiro uma caixa com brinquedos de um menino – que morou ali no passado – e decide devolvê-la. Ao perceber a felicidade do menino, hoje um homem, em ter devolvido seus pequenos “tesouros” de infância, Amélie decide então mudar a vida das pessoas com pequenos gestos, no entanto, falta mudar a vida dela e, para isso, Amélie precisa de um grande amor para ser feliz.
     Lendo assim, de maneira isolada a sinopse do filme, a impressão que nos passa é de uma história totalmente sem graça e chata. Mas não é. O filme é belo. A intenção do diretor era justamente explorar as coincidências da vida e as particularidades de cada um.
     Durante o filme, os personagens nos são apresentados de maneira pitoresca. Por exemplo: “Amélie Poulain gosta: de enfiar a mão nos grandes sacos de arroz vendidos a granel na feira. Ou ainda: Raphael Poulain (pai de Amélie) gosta: de rasgar longas tiras de papel de parede. Raphael Poulain não gosta: de sair da piscina e seu calção grudar no corpo. Enfim, são essas particularidades de cada personagem e muitas outras, que não têm nada a ver o desenrolar da trama do filme, que fazem dele um filme leve e gostoso.
E o final? Lógico que não vou contar. Mas será que Amélie consegue encontrar o seu amor?      Entre coincidências e armações, Amélie conhece Nino Quincampoix, que é colecionador de fotografias 3 x 4 rasgadas, que foram jogadas fora, na lixeira ao lado das máquinas de fotografia, por pessoas que não gostaram do resultado. Entre uma foto e outra será que é possível surgir um grande amor? Enfim, o filme é uma gostosa comédia de amor que deixa sua marca. Vale a pena alugar o filme em DVD ou até mesmo comprá-la pela Internet ou lojas de departamentos. Uma ótima pedida para assistir durante o fim de semana.

Felipe Cruz
é acadêmico de Jornalismo
no Centro Universitário de Barra Mansa e cinéfilo.
E-mails para esta coluna: felipebcruz@gmail.com