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ESCOLHIDAS
Resende e Barra Mansa
Cidades abrigarão os primeiros aterros regionais da região

SUL FLUMINENSE - O encontro dos prefeitos, que aconteceu na manhã de ontem em Barra do Piraí, definiu os dois primeiros municípios que receberão os aterros sanitários regionais. Foi assinado um protocolo de intenções entre os prefeitos que fazem parte do Consórcio Intermunicipal Vale do Paraíba, em que ficou decidido pelas cidades de Resende e Barra Mansa. Há ainda a possibilidade de Valença e Paracambi também ser contempladas. O próximo passo será uma reunião, provavelmente no dia 15 de fevereiro, para os municípios cotados apresentarem os planos de gestão que definirão a melhor forma de construção dos aterros.
Apenas a Prefeitura de Volta Redonda não decidiu se participará do consórcio para a construção dos centros de tratamento de resíduos, já que estuda a possibilidade de construir seu aterro próprio. Participaram da reunião prefeitos e secretários de Quatis, Vassouras, Itatiaia, Pinheiral, Valença, Piraí, Três Rios, Rio das Flores, Barra do Piraí, Barra Mansa, Resende e Mendes, além de representantes da Fundação Cide e da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro).
Segundo o secretário de Meio Ambiente de Paracambi, Hélio Vanderlei Coelho Filho, a cidade já está fazendo o licenciamento na Feema e aguarda a audiência pública. “Já temos também o terreno e R$ 2 milhões em caixa para a construção do aterro sanitário”, disse. Com a construção, as cidades beneficiadas seriam Paulo de Frontin, Mendes e Miguel Pereira. Já existe um aterro sanitário controlado na cidade que recebe diariamente 30 toneladas de lixo. “Somos o único município a criar o ecopólo para reciclar o lixo”, adiantou, referindo-se ao projeto de gestão que será apresentado no próximo encontro. Com a proposta de Paracambi, apenas 7% do lixo recolhido irá para o aterro sanitário.
A preocupação do secretário de Meio Ambiente de Paracambi é a entrada de recursos do Estado para a construção dos aterros regionais. O subsecretário do Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação, Eduardo Cavalcanti, lembrou que existem recursos da Faperj (Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro), que podem ser usados na montagem dos projetos dos aterros. E o secretário chefe de Gabinete da governadora e membro da Comissão Estadual do Protocolo de Kyoto, Fernando Peregrino, frisou que existem também recursos do Fecam (Fundo Estadual de Meio Ambiente), da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, para serem usados nos aterros.

GERAÇÃO DE ENERGIA

Embora Resende seja um dos municípios beneficiados com a construção dos aterros regionais, o prefeito Silvio de Carvalho (PMDB) garantiu que tentará também outros caminhos para garantir ainda mais a diminuição do problema do lixo. Além do tratamento dos resíduos sólidos, o prefeito está buscando, junto com uma empresa canadense, a aplicação de um projeto que gere também energia e novas tecnologias na área de coleta de lixo e gerenciamento dos aterros “Resende pode ficar auto-suficiente em energia”, afirmou.
Com relação a investimentos do Governo do Estado na construção dos aterros sanitários, Silvio de Carvalho afirmou que já existe uma verba de cerca de R$ 200 milhões definida no Orçamento Estadual para a aplicação de desenvolvimento tecnológico e a expectativa é a destinação de uma parte para os municípios do Médio Paraíba para a construção dos aterros. A reunião, de acordo com o prefeito, serviu para firmar um documento concordando com o consórcio e os locais confirmados.
Desde janeiro do ano passado funciona na cidade um aterro regional que atende a Porto Real, Arapeí, Bananal, Quatis e Itatiaia. Com a construção do aterro regional o atendimento se estenderá para algumas cidades de São Paulo e Sul de Minas Gerias. “Vamos criar outra célula que terá duração de 20 anos para abrigar mais cidades”, adiantou. O aterro de Resende tem capacidade anual de receber 2.500 toneladas e a célula atual tem duração de cinco anos.
Se confirmada a parceira com a empresa do Canadá, com um projeto que diminua a emissão de gases, o prefeito terá muito o que comemorar. “A proposta determinada pelo Protocolo de Kyoto é que um país desenvolvido aplique recursos em países em desenvolvimento como uma medida compensatória, com projetos que diminuam a emissão de gases. É o chamado crédito de carbono”, explicou Silvio de Carvalho. De acordo com o prefeito, o dinheiro aplicado melhoraria a situação do lixo e possibilitaria a geração de energia própria. “Também não podemos ter pressa. Faremos com calma porque existem agentes financeiros que se aproveitam dessa transação e recebem muito com isso”, conta. Resende aguarda a resposta da empresa canadense para a aplicação de recursos no município.