| APOSENTADORIA
Metalúrgicos na briga
Plenária reuniu
ontem na UFF cerca de 200 trabalhadores
VOLTA REDONDA - O presidente do Sindicato
dos Metalúrgicos da Região
Sul Fluminense, Carlos Henrique Perrut,
reuniu-se, ontem, com cerca de 200 metalúrgicos
e ex-funcionários da Companhia Siderúrgica
Nacional (CSN), no auditório da
Universidade Federal Fluminense (UFF),
na Vila Santa Cecília, para discutir
problemas relacionados à aposentadoria
de cerca de mil empregados da empresa.
A plenária contou com a presença
do presidente da Comissão de Previdência
Social da Ordem dos Advogados do Brasil
(OAB), 5ª subseção (Volta
Redonda), Mário Cunha.
No encontro, a categoria falou sobre as
dificuldades que está enfrentando
junto ao Instituto Nacional de Seguridade
Social (INSS) para conseguir a aposentadoria
especial - concedida àqueles que
trabalharam ou ainda trabalham em áreas
insalubres no interior da CSN, como Aciaria,
Coqueria, Sinterização e
Altos-fornos, entre outras, e que já têm
tempo para se aposentar. Na mesma reunião
foram aprovadas, por unanimidade, três
propostas, além da distribuição à população,
de uma Carta de Repúdio à direção
do INSS. O documento também deverá ser
publicado nos principais jornais da região.
A primeira proposta é a publicação
da Carta de Repúdio à direção
da agência do INSS de Volta Redonda;
a segunda será o pedido de saída
do perito do instituto, Daniel Moltinho
que, segundo eles, tem criado dificuldades
para a aposentadoria dos trabalhadores,
indeferindo os pedidos nesse sentido. A
terceira proposta será a reprodução,
no boletim oficial do sindicato de amanhã,
que sairá com uma tarja preta em
protesto contra o INSS, de todas as matérias
publicadas nos jornais relacionadas à plenária
de ontem na UFF.
CRÍTICAS
Os metalúrgicos não pouparam
críticas ao INSS e ainda classificaram
os estagiários do órgão
de incapacitados e mal orientados para
exercer certas funções. “A
rotatividade de pessoal na concessão
de benefícios é muito grande.
Isso dificulta muito a concessão
de aposentadorias. Além disso, os
chefes de departamento são substituídos
freqüentemente”, criticou Perrut,
acrescentando que o problema é administrativo. “Falta
pessoal qualificado para atender”,
completou o advogado Mário Cunha.
“
Falaram que o meu serviço é leve,
mas derreto naquela Aciaria”, reclamou
o eletricista José Carlos de Oliveira,
48 anos, dos quais 25 como funcionário
da CSN, que também está lutando
há anos para se aposentar e não
consegue, apesar de ter direito ao benefício. “Já procurei
o sindicato; recorri a Deus e ao Mundo,
mas parece que a situação é política.
Não sei mais a quem recorrer. Essa
situação não pode
continuar. Tem que haver uma solução”,
completou outro metalúrgico. “O
que estão fazendo com a gente é um
crime. Uma injustiça - prosseguiu
outro trabalhador, acrescentando que vai
denunciar o problema à Justiça
Federal”, acrescentou um terceiro.
Outro operário, que não quis
se identificar, foi mais além: “Estou
numa situação terrível.
Não tenho vergonha de falar que
minha família está passando
fome. Meu nome está no SPC e no
Serasa. Não agüento mais essa
situação de miséria”,
desabafou ele, que foi demitido da CSN
e tenta se aposentar há três
anos.
Amanhã, às 8 horas, a direção
do sindicato fará um protesto em
frente à agência do INSS,
no Centro, com a utilização
de um carro de som. “Não temos
outra alternativa a não ser chamar
a atenção das autoridades”,
disparou o líder sindical Perrut.
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