Voltar   Cris Oliveira

DESCASO
Caos total no campo
Obra de recuperação da estrada que dá acesso à Fazenda do Salto está paralisada há seis meses por falta de manutenção de máquinas

BARRA MANSA - O acesso à comunidade rural do entorno da Fazenda do Salto é praticamente impossível. Quem trafega pela Via Dutra em direção à estrada que dá acesso à localidade, na altura de Floriano, só percebe que o local é habitado em função da circulação de pessoas nas proximidades. Sem sinalização, sem iluminação nem qualquer tipo de infra-estrutura, a localidade é tomada pelo barro e mato. A estrada principal, que tem cerca de 11 quilômetros de extensão, e as três vicinais que cortam o assentamento da extinta Fazenda do Salto estão péssimas condições. Quando chove, o local fica intransitável. Mas, o que poderia ser resolvido em 30 dias de obras se arrasta por mais de seis meses. Segundo moradores, pressionada por produtores leiteiros locais a prefeitura deu início, em agosto do mês passado, a obras de recuperação da via. No entanto, o serviço não durou muito tempo. A máquina utilizada no trabalho (patrol) teve problemas no sistema de embreagem e no mesmo mês o serviço foi paralisado. Há apenas vários montes de escória às margens da estrada, à espera da retomada das obras, e muito barro. Da máquina, inutilizada, só restou ferrugem e o matagal da Estrada Lagoinha praticamente deixa sem acesso a comunidade rural.
“ O custo de uma máquina desta é muito alto. Mas o descaso é tão grande que a prefeitura prefere gastar milhões em propaganda ou mesmo comprar outra que custa R$ 500 mil a consertar esta máquina que está parada há meses”, criticou um morador que preferiu não se identificar, lembrando que a recuperação da estrada foi uma promessa de campanha da administração municipal.
Como se não bastasse a precariedade da estrada, não há transporte coletivo que circule pela localidade. Quem se aventura a andar pela lama da estrada e pretende tomar o ônibus nas margens da Rodovia Presidente Dutra em direção ao Centro da cidade não leva menos que duas horas para chegar ao seu destino. “Aqui não chega agente de saúde, não tem ônibus nem escola. Se as crianças tiverem que estudar, precisam correr o risco de pegar o ônibus na pista. O ônibus comercial de Floriano passa só a cada duas horas e o da Viação Falcão é muito caro (R$ 2,60)”, conta a dona-de-casa Verônica Lis de Paula Nascimento, 30 anos, acrescentando que o aumento do pedágio dificultará ainda mais o deslocamento dos moradores da comunidade rural.

SEM INFRA-ESTRUTURA

À mercê da boa vontade do poder público, as cerca de 50 famílias que vivem na localidade sofrem sem água tratada, assistência médica, acesso à escola e apoio à agricultura. De acordo com moradores, a prefeitura desativou a antiga unidade escolar da localidade para construir uma nova escola, mas até hoje não cumpriu o que prometeu.
Na área de saúde, a principal reivindicação dos moradores é quanto à implantação de uma unidade do Programa de Saúde da Família, que nunca chegou à comunidade rural. “Tinha uma escola da prefeitura que funcionava aqui, mas fecharam. Diziam que não tinham como manter por causa da distância e do gasto com merenda. Posto de saúde nunca teve. Crianças já morreram por causa da contaminação da água”, comenta uma senhora identificada apenas como Maria.

SEM APOIO À AGRICULTURA

Cansado de esperar pelo cumprimento de promessas de campanha eleitoral, o agricultor Joval Alonso da Rocha, 58 anos, morador há nove anos do local, denuncia a falta de apoio ao homem do campo. Segundo ele, a maioria das famílias que vive no entorno da Fazenda do Salto retira seu sustento da terra. O cultivo de bananas, milho, feijão, aipim, entre outras culturas, garante a sobrevivência de muitos agricultores que vendem seus produtos em feiras livres na cidade e municípios vizinhos.
Joval diz que nos últimos anos a situação se agravou ainda mais pela falta de apoio técnico e condições para vender seus produtos. “Antes podíamos vender os legumes e as hortaliças no Centro da cidade, mas agora tem fiscalização. Já tomaram várias coisas de muitas pessoas. Estamos abandonados. Tudo o que foi feito aqui é por nossa conta. A Emater, a prefeitura, o Incra, todos nos abandonaram. Tive que plantar café e eu mesmo fazer teste. Cheguei a perder grande parte da plantação”, lamenta o produtor.