| DESCASO
Caos total no campo
Obra de recuperação da estrada
que dá acesso à Fazenda do
Salto está paralisada há seis
meses por falta de manutenção
de máquinas
BARRA
MANSA - O acesso à comunidade
rural do entorno da Fazenda do Salto é praticamente
impossível. Quem trafega pela Via
Dutra em direção à estrada
que dá acesso à localidade,
na altura de Floriano, só percebe
que o local é habitado em função
da circulação de pessoas
nas proximidades. Sem sinalização,
sem iluminação nem qualquer
tipo de infra-estrutura, a localidade é tomada
pelo barro e mato. A estrada principal,
que tem cerca de 11 quilômetros de
extensão, e as três vicinais
que cortam o assentamento da extinta Fazenda
do Salto estão péssimas condições.
Quando chove, o local fica intransitável.
Mas, o que poderia ser resolvido em 30
dias de obras se arrasta por mais de seis
meses. Segundo moradores, pressionada por
produtores leiteiros locais a prefeitura
deu início, em agosto do mês
passado, a obras de recuperação
da via. No entanto, o serviço não
durou muito tempo. A máquina utilizada
no trabalho (patrol) teve problemas no
sistema de embreagem e no mesmo mês
o serviço foi paralisado. Há apenas
vários montes de escória às
margens da estrada, à espera da
retomada das obras, e muito barro. Da máquina,
inutilizada, só restou ferrugem
e o matagal da Estrada Lagoinha praticamente
deixa sem acesso a comunidade rural.
“
O custo de uma máquina desta é muito
alto. Mas o descaso é tão
grande que a prefeitura prefere gastar
milhões em propaganda ou mesmo comprar
outra que custa R$ 500 mil a consertar
esta máquina que está parada
há meses”, criticou um morador
que preferiu não se identificar,
lembrando que a recuperação
da estrada foi uma promessa de campanha
da administração municipal.
Como se não bastasse a precariedade
da estrada, não há transporte
coletivo que circule pela localidade. Quem
se aventura a andar pela lama da estrada
e pretende tomar o ônibus nas margens
da Rodovia Presidente Dutra em direção
ao Centro da cidade não leva menos
que duas horas para chegar ao seu destino. “Aqui
não chega agente de saúde,
não tem ônibus nem escola.
Se as crianças tiverem que estudar,
precisam correr o risco de pegar o ônibus
na pista. O ônibus comercial de Floriano
passa só a cada duas horas e o da
Viação Falcão é muito
caro (R$ 2,60)”, conta a dona-de-casa
Verônica Lis de Paula Nascimento,
30 anos, acrescentando que o aumento do
pedágio dificultará ainda
mais o deslocamento dos moradores da comunidade
rural.
SEM INFRA-ESTRUTURA
À mercê da boa vontade do
poder público, as cerca de 50 famílias
que vivem na localidade sofrem sem água
tratada, assistência médica,
acesso à escola e apoio à agricultura.
De acordo com moradores, a prefeitura desativou
a antiga unidade escolar da localidade
para construir uma nova escola, mas até hoje
não cumpriu o que prometeu.
Na área de saúde, a principal
reivindicação dos moradores é quanto à implantação
de uma unidade do Programa de Saúde
da Família, que nunca chegou à comunidade
rural. “Tinha uma escola da prefeitura
que funcionava aqui, mas fecharam. Diziam
que não tinham como manter por causa
da distância e do gasto com merenda.
Posto de saúde nunca teve. Crianças
já morreram por causa da contaminação
da água”, comenta uma senhora
identificada apenas como Maria.
SEM APOIO À AGRICULTURA
Cansado de esperar pelo cumprimento de
promessas de campanha eleitoral, o agricultor
Joval Alonso da Rocha, 58 anos, morador
há nove anos do local, denuncia
a falta de apoio ao homem do campo. Segundo
ele, a maioria das famílias que
vive no entorno da Fazenda do Salto retira
seu sustento da terra. O cultivo de bananas,
milho, feijão, aipim, entre outras
culturas, garante a sobrevivência
de muitos agricultores que vendem seus
produtos em feiras livres na cidade e municípios
vizinhos.
Joval diz que nos últimos anos a
situação se agravou ainda
mais pela falta de apoio técnico
e condições para vender seus
produtos. “Antes podíamos
vender os legumes e as hortaliças
no Centro da cidade, mas agora tem fiscalização.
Já tomaram várias coisas
de muitas pessoas. Estamos abandonados.
Tudo o que foi feito aqui é por
nossa conta. A Emater, a prefeitura, o
Incra, todos nos abandonaram. Tive que
plantar café e eu mesmo fazer teste.
Cheguei a perder grande parte da plantação”,
lamenta o produtor.
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