O
Haiti não é aqui
Muito se tem falado da ascendência
da violência no Rio de Janeiro nas
últimas décadas, o que realmente é inegável.
E por ser a principal porta de
Entrada de turistas no país, os
episódios repercutem muito mais
que em qualquer outra cidade, o que acaba
sendo injusto. A opinião pública
deve ser informada que a situação
carioca é igual a de qualquer outro
grande centro do país, principalmente
a Cidade de São Paulo e sua periferia
sangrenta. Rotular só o Rio como
violento não é correto.
No início deste ano, a capital paulista
viveu momentos de pavor, com a
polícia sendo alvo de vários
ataques, numa onda que começou com
um policial morto eoutro baleado. Nos episódios
seguintes, mais policiais e bandidos morreram
em troca de tiro. Ao assistir os agentes
de segurança pública sendo
alvos fáceis da criminalidade, a
população paulista se viu
indefesa, amedrontada e com uma sensação
de insegurança no ar, sentimentos
iguais aos vividos pelos cariocas nos episódios
da Rocinha, da Linha Vermelha ou Amarela.
Portanto, a violência urbana não
possui níveis e assusta as pessoas
com a mesma dosagem, seja em qual lugar
for. Outra similaridade é a autoria
dos fatos. Como no Rio, os atentados são
realizados por integrantes das facções
criminosas que disputam o controle donarcotráfico
da região. No caso de São
Paulo, a própria Secretaria de Segurança
Pública admitiu essa hipótese,
responsabilizando um dos grupos pelos crimes.
Enfim, diz o dito popular que o vento que
sopra lá é o mesmo que sopra
cá. Em todos os grandes centros
urbanos do país a realidade é a
mesma.
Crucificar o Rio como se fosse o único
lugar propenso à violência,
repito, não é certo.
Plagiando Caetano: O Haiti não é aqui?,
ou se é, não é só aqui.
Marcos Espínola
Advogado e membro da Associação
Internacional de Criminologia
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