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O Haiti não é aqui

Muito se tem falado da ascendência da violência no Rio de Janeiro nas últimas décadas, o que realmente é inegável. E por ser a principal porta de Entrada de turistas no país, os episódios repercutem muito mais que em qualquer outra cidade, o que acaba sendo injusto. A opinião pública deve ser informada que a situação carioca é igual a de qualquer outro grande centro do país, principalmente a Cidade de São Paulo e sua periferia sangrenta. Rotular só o Rio como violento não é correto.
No início deste ano, a capital paulista viveu momentos de pavor, com a polícia sendo alvo de vários ataques, numa onda que começou com um policial morto eoutro baleado. Nos episódios seguintes, mais policiais e bandidos morreram em troca de tiro. Ao assistir os agentes de segurança pública sendo alvos fáceis da criminalidade, a população paulista se viu indefesa, amedrontada e com uma sensação de insegurança no ar, sentimentos iguais aos vividos pelos cariocas nos episódios da Rocinha, da Linha Vermelha ou Amarela.
Portanto, a violência urbana não possui níveis e assusta as pessoas com a mesma dosagem, seja em qual lugar for. Outra similaridade é a autoria dos fatos. Como no Rio, os atentados são realizados por integrantes das facções criminosas que disputam o controle donarcotráfico da região. No caso de São Paulo, a própria Secretaria de Segurança Pública admitiu essa hipótese, responsabilizando um dos grupos pelos crimes.
Enfim, diz o dito popular que o vento que sopra lá é o mesmo que sopra cá. Em todos os grandes centros urbanos do país a realidade é a mesma.
Crucificar o Rio como se fosse o único lugar propenso à violência, repito, não é certo.
Plagiando Caetano: O Haiti não é aqui?, ou se é, não é só aqui.

Marcos Espínola
Advogado e membro da Associação
Internacional de Criminologia



Mais uma emoção em minha vida

Acordei nesta segunda-feira, dia 13 de fevereiro, vestindo preto, branco e cinza. Meu Botafogo, campeão da Taça Guanabara 2006, protagonizara na véspera uma virada histórica e heróica no Maracanã.
A torcida alvinegra deu um espetáculo à parte e eu estava lá com meu filho André, oito anos, botafoguense, estreando num grande estádio de futebol com os paramentos do meu time de coração.
Confesso que, mesmo indo para um dia de trabalho e compromissos na Prefeitura de Quatis, nunca enxerguei tantas cores numa calça de brim preta e uma camisa social cinza.
Pude perceber como é simples a alma do nosso povo, capaz de gritar num uníssono de 40 mil vozes o incentivo aos jogadores do seu time do coração.
Pude alinhar, no calor da fogueira em que se transformou o Maracanã, as grandes emoções da minha vida: a emoção diária de ter uma família linda; o fato de ter vencido por duas vezes as eleições para prefeito de minha querida Quatis e a imensa emoção de abraçar meu filho nas comemorações dos gols e do campeonato.

Alfredo de Oliveira
Prefeito de Quatis e torcedor do Botafogo