Voltar   Cris Oliveira

PARALISAÇÃO
Professores aderem em 80%

BARRA MANSA - Conforme decidido em assembléia dia 8, os profissionais da rede municipal de ensino fizeram ontem, pela manhã, uma paralisação de meio período, seguida de passeata até a prefeitura para reivindicar melhores condições de trabalho e denunciar os baixos salários. O objetivo foi pressionar o governo municipal a receber uma comissão do Sepe para discutir itens mais específicos da educação. Cerca de 350 professores e profissionais administrativos se concentraram na Praça da Matriz e fizeram panfletagem no Centro.
Com faixas, cartazes e vestindo camisas estampadas com o símbolo da cidade, chorando, e o slogan Chega de Sofrer! Reajuste salarial já!, os professores pediram apoio à população. Distribuíram uma carta aberta à população explicando o motivo da paralisação e em seguida partiram em passeata em direção à prefeitura. O movimento teve adesão de 80% dos profissionais das 63 escolas municipais.
Uma comissão formada por dez pessoas, entre membros do Sepe, funcionários e professoras, tentou conversar com o prefeito para marcar uma audiência, mas conseguiram falar apenas com o secretário de Governo, Lúcio Teixeira e o secretário de Educação, José Amaral. “A atitude do Amaral foi de muita pressão. Ele disse que iria descontar a meia paralisação do salário dos professores, mas não tem como ele fazer isso. Houve aula e uma semana antes do movimento entregamos cartas aos pais”, justifica um dos diretores do Sepe, Paulo César de Souza, secretário responsável pela aposentadoria e funcionários municipais e estaduais.
Segundo a coordenadora regional do Sepe, Mariana Caetano, o secretário de Governo disse que o desconto no salário dos professores que aderiram ao movimento foi “decidido em consenso entre o secretariado”. “Se não teve autorização do prefeito, pareceu que essa ordem tenha partido do secretário de Educação”, observa. “O secretário de Governo disse, ainda, na reunião, que no ano passado eles (a prefeitura) foram muito bons com a gente durante a miniparalisação e que este ano seria descontado. Com isso, parece que o prefeito não está preocupado com os alunos e quer fechar o canal de comunicação com o sindicato”, completa Mariana, convocando a categoria a “construir o movimento”.

ASSEMBLÉIA GERAL

Na parte da tarde, os professores se reuniram na Câmara Municipal para definir um cronograma de atividades para a mobilização. Cerca de 250 profissionais participam da assembléia. Foi definido que, na próxima quarta-feira, será realizada uma nova miniparalisação. Pela manhã, os professores farão um trabalho de conscientização com a população, panfletando pelos principais bairros da cidade. Enquanto isso, uma comissão de professores e membros do Sepe vai procurar os vereadores que apoiaram a causa para pedir que solicitem uma audiência com o prefeito. Para o mesmo dia, às 15 horas, está programado um ato público em frente à prefeitura a fim de pressionar o governo a marcar uma negociação.
Durante a assembléia também foi proposta uma ampla divulgação do movimento com a confecção de faixas e cartazes e o envio de um ofício à prefeitura, solicitando uma audiência para negociar itens específicos.
À noite, uma comissão do Sepe e alguns professores acompanharam a sessão da câmara e conversaram com alguns vereadores a fim de buscar apoio para o movimento. O vereador José Maurício (PT), que acompanhou as assembléias anteriores, manifestou total apoio.
Os profissionais de educação reivindicam reposição salarial de 65%, referente às perdas salariais dos últimos dez anos, implantação do Plano de Cargos e Carreira, convocação dos concursados, incorporação da dupla regência e contrapartida da prefeitura na contribuição do Fundamp, entre outros.