Pesquisa
da Firjan mostra otimismo na produção
industrial para os próximos meses
RESENDE - As indústrias do Sul
Fluminense encerraram 2005 com menor atividade
produtiva. No entanto, as expectativas
para os seis primeiros meses deste ano
são um pouco melhores, mas estão
distantes do otimismo encontrado em anos
anteriores. É o que mostra a Sondagem
Econômica Industrial da Federação
das Indústrias do Estado do Rio
de Janeiro (Firjan) referente ao quarto
trimestre, divulgada ontem pelo presidente
da Representação Regional
no Sul Fluminense, Henrique Nora e pela
chefe da Assessoria de Pesquisas Econômicas
da Firjan, Luciana de Sá.
Segundo Nora, neste período o indicador
de produção industrial caiu
em relação a outubro-dezembro
de 2004, ficando em 39,8 pontos, numa escala
de 0 a 100. A linha divisória dessa
escala situa-se em 50 pontos, marco sinalizador
de estabilidade e de aumento ou redução
dos indicadores pesquisados. As pequenas
e médias empresas foram mais atingidas
pela retração da atividade
industrial, cujo índice foi de 31,3
pontos, enquanto as de grande porte apresentaram
47,9 pontos. Conseqüentemente, o uso
de 68% da capacidade instalada diminuiu
6,4 pontos em relação ao
trimestre anterior, isto é, de julho
a setembro de 2005. “Na comparação
com o último trimestre de 2004,
houve também queda na utilização
do parque industrial, decorrente da
acomodação da atividade industrial
no ano passado”, diz o presidente,
ressaltando que o desempenho mais fraco
da indústria da região conduziu
a um mercado de trabalho menor na maioria
das indústrias da região
Sul Fluminense, com o indicador em 41,8
pontos, sendo a redução de
postos de trabalho mais acentuada nas grandes
empresas. “Menos emprego retrata
também a queda de vendas que atingiu
indistintamente todas as indústrias
no último trimestre de 2005, com
o indicador situado em apenas 43 pontos.
Redução da atividade industrial
e de vendas tiveram impacto direto sobre
os
estoques de produtos finais”, explicou.
Novamente, as grandes indústrias,
com 41,7 pontos, fizeram o ajuste mais
rápido dos estoques, enquanto as
de porte pequeno e médio apresentaram
indicador de 50 pontos.
De acordo com a Sondagem Econômica Industrial da região, os resultados
apresentados decorrem de um ambiente pouco favorável aos negócios,
formado pela carga tributária elevada e a competição acirrada
do mercado, ambas citadas por 64,7% dos entrevistados. A falta de demanda,
as altas taxas de juros e o elevado custo das matérias primas, com 47,1%,
35,3% e 23,5% das respostas, respectivamente, foram identificados também
como obstáculos a serem superados. Em relação ao próprio
negócio e a seu setor de atividade, os industriais da região
têm uma expectativa desfavorável, com indicadores respectivos
de 44 e 42 pontos.
A visão para o desempenho da economia brasileira nos próximos
seis meses não é muito diferente. A expectativa dos industriais,
que geralmente ultrapassa 60 pontos, na sondagem atual chega a 58 pontos. Em
relação às exportações, a expectativa continua
sendo de redução, com 46,8 pontos, embora tenha relativamente
melhorado ante os 38,4 pontos encontrados na sondagem anterior.
O indicador de vendas dos próximos seis meses, com 54 pontos, também
melhorou em relação ao do trimestre julho-outubro 2005, que foi
de 49
pontos. O otimismo encontrado na Sondagem Econômica Industrial do Sul
Fluminense tem forte contribuição das grandes empresas, cujo
indicador atingiu 56,3 pontos. O emprego industrial, no entanto, não
tende à recuperação, conforme o indicador de 42 pontos
que mostra a intenção do empresariado da região de reduzir
o quadro de funcionários nos primeiros meses deste ano, principalmente
nas indústrias de grande porte.
|