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Jornais clandestinos
O senador Romero Jucá (PMDB-RR) é autor de projeto de lei aprovado pelo plenário que concede isenção total do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) ao papel de imprensa, livros, jornais e periódicos. O principal objetivo do parlamentar é facilitar para as empresas jornalísticas e editoras a aquisição do papel, ainda hoje importado em grande escala, embora o Brasil seja um grande produtor e exportador de papel de imprensa.
A intenção do senador de Roraima é digna de registro, mas não tem nenhum sentido prático, visto que o papel destinado à imprensa já goza de isenção de tributos. Nas notas fiscais os fornecedores já trazem explicitamente a isenção, vedando, por isso mesmo, a utilização do papel para qualquer outro fim que não seja o de impressão de jornais.
O senador, que parece querer contribuir para diminuir a carga de encargos que sofrem as empresas jornalísticas, poderia aproveitar o fôlego e apresentar um projeto de lei que impeça os municípios de editarem órgãos oficiais sem aprovação da Câmara e sem obedecer ao que preceitua a Lei de Imprensa, mantendo, na verdade, jornais, que por sua natureza são verdadeiramente clandestinos.
O projeto de Jucá não está totalmente perdido, pois ele engloba, ainda, na isenção de tributos máquinas de impressão e tintas. Mas, o grande investimento das empresas está, efetivamente, no papel.
Com a lei que ora propomos, os municípios ficariam obrigados a obedecer à lei e não agir ao seu arrepio, como acontece em nossa região.
Os chamados órgãos oficiais são, na sua maioria, verdadeiras arapucas, usadas pelos prefeitos para divulgar os atos que eles, na verdade, não desejam ver divulgados. Os informativos, ditos oficiais, não trazem no expediente o nome do jornalista responsável, não cumprem nenhum esquema de circulação e são editados quando interessa ao prefeito.
É hora de acabarmos com os jornais oficiais clandestinos que, na realidade, competem com a imprensa devidamente registrada e que recolhe os seus impostos regularmente. A simulação da publicação dos atos ofíciais normativos e não normativos tira dos jornais a participação em licitações para atender às publicações que deveriam ser inseridas em jornais de grande circulação, justamente para garantir aos munícipes o conhecimento pleno do trabalho das prefeituras.
Fica a sugestão para o deputado Romero Jucá, com os agradecimentos por se colocar ao lado da imprensa, tão vilipendiada em seus direitos e conquistas.