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Caso de bebê insepulto há 23 dias vira investigação policial

Carol Macedo
BARRA MANSA -
Continua à espera de uma decisão judicial o sepultamento de Vitória, falecida há 23 dias, no Hospital da Mulher. Depois da emissão de dois laudos contraditórios, um emitido pelo Instituto Médico Legal (IML), de Três Poços, e outro pelo hospital, o caso foi encaminhado pela Justiça para ser analisado pelo IML do Rio de Janeiro, já que o primeiro deu a criança como nascida viva e o segundo, como natimorto. Além disso, o chefe da Polícia Civil, delegado Álvaro Lins, retirou o inquérito administrativo que foi aberto na cidade sobre a placenta do bebê, que havia sumido ao realizar a necropsia e o encaminhou para ser investigado na Delegacia de Homicídios do Rio. De acordo com ele, a Corregedoria Interna da Polícia Civil já começou a colher os depoimentos dos dois médicos peritos de Três Poços envolvidos, Márcio Braga e Pedro Machado Falcão.
De acordo com Álvaro Lins, a solicitação da abertura do inquérito por Márcio Braga foi devido ao desaparecimento da placenta da criança, que teria sido levada para o laboratório particular do Dr. Falcão. Segundo o delegado, a retirada do inquérito de Barra Mansa foi para evitar qualquer pressão que prejudicasse a apuração do caso. “Estamos apurando para saber se o que aconteceu foi por falha ou favorecimento. Até o final deste mês a corregedoria já terá uma posição”, explica o delegado, acrescentando que como os dois médicos peritos são policiais o órgão foi acionado para apurar a divergência ocorrida.
Dependendo do resultado do laudo laboratorial, previsto para ser liberado dentro de 20 dias, o chefe da Polícia Civil informou que pode ser qualificado como homicídio culposo. “Vamos dizer que o laudo do IML do Rio aponte que a criança nasceu viva e que morreu por descuido médico, por exemplo. Isso pode ser qualificado como homicídio culposo. Por isso estamos apurando”, exemplifica.

CORPO EM BARRA MANSA

O chefe da Polícia Civil informou que o corpo de Vitória foi liberado no Rio de Janeiro sábado. De acordo com a tia da criança, Berenice Vitorino, a situação ainda não está resolvida para o sepultamento, pois depende da autorização do juiz. Segundo ela, provavelmente o advogado da família entrará em contato hoje com a Defensoria Pública para saber do juiz se o corpo será liberado.

RELEMBRANDO O CASO

O laudo do Hospital da Mulher indica que Vitória faleceu por anoxia intra-uterina e sofrimento fetal crônico provocado por tabagismo, o que fez com que o bebê nascesse morto. Já o do IML diz que a causa da morte foi traumatismo craniano-encefálio, provocado por ação contundente, ou seja, um aprisionamento em algo plano. E no laudo ainda consta que a criança nasceu viva. O problema para realizar o sepultamento é que a família tem dois laudos contraditórios. A saída foi acionar a Justiça que encaminhou o corpo para o Rio de Janeiro para outro exame.