Voltar   Cris Oliveira

Bordadeiras em ritmo acelerado de produção para atender escolas de samba do Rio

BARRA MANSA - A cooperativa de bordadeiras da cidade, que reúne cerca de duas mil profissionais, está trabalhando em ritmo acelerado para cumprir as encomendas de várias agremiações carnavalescas. do Rio, São Paulo, Bahia e Amazonas. Além de adereços de alas, as bordadeiras produzem fantasias de pessoas famosas ou de personagens de destaque das agremiações. Entre as peças já entregues a escolas do Rio estão 1,2 mil bastidores (armações metálicas com tecidos e plumas), destinados a destaques de carros alegóricos, mestre-sala, baianas, entre outros.
Para concluir o bordado, cada profissional gasta, em média, quatro horas. Descobertas pelas escolas de samba, elas têm como clientes agremiações como o Salgueiro, Mangueira, Viradouro, no Rio de Janeiro; Vai-Vai, de São Paulo; Parintins, do Amazonas, além de blocos de Salvador.
No desfile deste ano, a ala das baianas da Escola Samba do Salgueiro vai exibir o trabalho do ateliê de Maria da Conceição Moura. Ela está terminando 100 fantasias, ao custo aproximado de R$ 1 mil, cada.
Com apoio do Governo do Estado as bordadeiras fazem parte do programa Arranjo Produtivo Local (APL) de Confecção do Sul Fluminense, em que recebem todo o suporte necessário à produção de fantasias e artigos para o carnaval. Além do mercado regional, o trabalho das bordadeiras de Barra Mansa tem agradado a compradores de outros estados e de fora do país. Artesãs estão bordando, por meio de um contrato fechado por uma loja do Rio de Janeiro, adereços para o carnaval de Portugal.
A visibilidade da cooperativa é garantida graças à participação em vários eventos de moda., entre eles o Fashion Rio, que possibilitou a ampliação da produção local. Os bordados de Barra Mansa também têm chegado ao exterior.
A história dos bordados no município começou com Jarda Dantas, hoje com 94 anos. A pioneira nessa arte começou a bordar quando tinha 54 anos e não parou mais, chegando a comandar cerca de 200 bordadeiras. As artesãs trabalham o ano todo. São trabalhos em jeans, malhas, alta costura e roupas em geral.
Segundo dados da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, a indústria do carnaval movimenta cerca de R$ 1 bilhão em negócios e gera mais de 300 mil empregos.