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O Haiti não é aqui

Muito se tem falado da ascendência da violência no Rio de Janeiro nas últimas décadas, o que realmente é inegável. E por ser a principal porta de entrada de turistas no país, os episódios repercutem muito mais que em qualquer outra cidade, o que acaba sendo injusto. A opinião pública deve ser informada que a situação carioca é igual a de qualquer outro grande centro do país, principalmente a Cidade de São Paulo e sua periferia sangrenta. Rotular só o Rio como violento não é correto.
No início deste ano, a capital paulista viveu momentos de pavor, com a polícia sendo alvo de vários ataques, numa onda que começou com um policial morto e outro baleado. Nos episódios seguintes, mais policiais e bandidos morreram em troca de tiro. Ao assistir os agentes de segurança pública sendo alvos fáceis da criminalidade, a população paulista se viu indefesa, amedrontada e com uma sensação de insegurança no ar, sentimentos iguais aos vividos pelos cariocas nos episódios da Rocinha, da Linha Vermelha ou Amarela. Portanto, a violência urbana não possui níveis e assusta as pessoas com a mesma dosagem, seja em qual lugar for.
Outra similaridade é a autoria dos fatos. Como no Rio, os atentados são realizados por integrantes das facções criminosas que disputam o controle do narcotráfico da região. No caso de São Paulo, a própria Secretaria de Segurança Pública admitiu essa hipótese, responsabilizando um dos grupos pelos crimes. Enfim, diz o dito popular que o vento que sopra lá é o mesmo que sopra cá. Em todos os grandes centros urbanos do país a realidade é a mesma. Crucificar o Rio como se fosse o único lugar propenso à violência, repito, não é certo.
Plagiando Caetano: “O Haiti não é aqui”, ou se é, não é só aqui.

Marcos Pinheiro
Advogado e membro da Associação
Internacional de Criminologia



Das vinhas ao vinho

“E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou,e agora, José?” Esses versos são frutos do talento, e da sensibilidade, de Carlos Drumond de Andrade (1902-1987), inesquecível poeta brasileiro, nascido na cidade mineira de Itabira do Mato Dentro. E agora, José? Esta é a indagação que cada um de nós deve fazer, para si próprio, para transformar as saudações em realidade. Devemos desenvolver planos de ação para a concretização das nossas metas, desejos e, até, de nossos sonhos. As manifestações de amizade, de carinho e de responsabilidade social que semeamos, nas festas de final de ano, são compromissos que assumimos. Os desafios permanecem aí, a espera da nossa ousadia, criatividade, determinação, respeito ao ser humano e ao meio ambiente.
Com o verão dando as boas vindas, a incorrigível alegria do povo brasileiro apresenta-se como anfitriã perfeita do fomento de um dos mais promissores segmentos da economia mundial - o turismo – fonte de divisas e de geração de empregos. Dentre as alternativas da indústria de entretenimento a nossa reflexão vai para o ecoturismo – polinização da cultura ambiental. O aumento da rentabilidade das pequenas propriedades rurais é fruto do valor agregado em atividades complementares. Do cafezal ao cafezinho, do trigal ao desjejum colonial ou das vinhas aos vinhos, descortina-se uma paisagem sedutora aos que cultivam o estressante estilo de vida urbano.
Cidades que produzem uva e vinho colhem o privilégio de tornarem-se autênticas grifes mundiais pela qualificação do sabor, aroma, cor e valor de seus produtos. Noé, o da Arca, é citado em Gênesis (9,20) sobre uva, e no mesmo livro, (9,21) sobre o vinho. Além dessas citações, há muitas outras destacando esses produtos na Bíblia e, naturalmente, em outros livros que relatam a milenar caminhada da humanidade. Relíquias históricas provam que o trigo e a videira são cultivados desde tempos imemoráveis.Não foi por acaso, que o pão e o vinho foram escolhidos por Jesus Cristo (Ceia do Senhor) como símbolos vivos da sua missão divina aqui na terra.

Faustino Vicente
Consultor de Empresas
faustino.vicente@uol.com.br