| CHUVAS
Desalojados pedem ajuda
Casa que desabou em dezembro deixou oito
pessoas sem moradia
VOLTA REDONDA - Vinda da cidade mineira
de Alfenas em 2002, em busca de emprego,
a família do biscateiro Aparecido
Camilo, 51 anos, continua precisando de
ajuda. O pior capitulo de sua vida no município
começou no dia 18 de dezembro do
ano passado, quando, depois de um temporal,
a casa onde morava na Servidão Santa
Isabel, no bairro Belo Horizonte, com a
mulher, Maria de Lourdes Camilo, 40 anos
e quatro filhos e dois netos desabou. Daí para
cá, a família ficou no relento.
Só não permaneceram na rua
graças a ajuda da presidente da
Associação de Moradores do
Bairro Belo Horizonte, Maria Sônia
das Chagas Monteiro, que cedeu dois cômodos
de sua casa para a família até que
a residência dos desalojados seja
reerguida. “Estamos encostados aqui
até que a nossa casa seja construída
novamente. Não temos para onde ir”,
conta o biscateiro que, atualmente, vende
picolé nas ruas para sustentar a
família.
Segundo Aparecido, o faturamento na venda
de picolé varia entre R$ 10 e R$
15 por dia. Ele explica que tem dia que
as vendas são boas e outros, não.
Já houve dia de faturar apenas R$
4. A única ajuda que tem é da
mulher, que cata papelão nas ruas
para faturar de R$ 4 a R$ 5 por dia. “Com
esse dinheiro compramos a nossa alimentação
e das crianças, além do leite
para os meus dois netos pequenos. Tem dia
que a gente não tem nada para comer,
como hoje. Não temos nem arroz para
fazer. A sorte que os dois filhos, de 11
e 13 anos, estão na escola e por
lá mesmo eles comem, agora quem
está em casa não come”,
relata o biscateiro, lembrando que seu
sonho não é conseguir uma
cesta básica por mês, mas
sim um emprego para poder sustentar a família
sem precisar pedir. “Desde que cheguei
aqui estou em busca de um serviço,
mas até agora não encontrei.
Não tenho preguiça. Acho
que não tenho é sorte na
vida”, completa. Ele conta também
que, almoço, só às
vezes, quando está trabalhando perto
de casa, coisa que é difícil. “Do
dinheiro que ganho por dia só tiro, às
vezes, para comprar um pão com mortadela.
Almoço, nem pensar”, diz.
Além de estar sem casa para morar,
Aparecido tem outra preocupação. É que,
com problemas de saúde, um de seus
filhos, o de 15 anos, necessita de tomar
Gadernal, remédio controlado, todos
os dias. “O remédio é caro
e ele não pode ficar sem tomar.
Graças a Deus que a Igreja São
Sebastião, no Retiro, nos cede a
medicação, mas quando não
tem ele fica sem. Essa é mais uma
preocupação”, diz a
mulher do biscateiro. O marido é servente
de pedreiro e até agora nada conseguiu. “Queríamos
muito que alguém ajudasse a gente
a construir a nossa casa. Isso já estava
de bom tamanho”, completa ela.
Para construir a casa para abrigar a família
o biscateiro ainda necessita de cimento,
areia, ferro e pedra. De acordo com a presidente
da Associação de Moradores,
através de doações
a família já conseguiu parte
do material, como pia, vaso e outros para
a construção do banheiro. “O
material para a construção
do banheiro foi todo cedido pela Igreja
Jesus de Nazaré, do Belo Horizonte.
As lajotas serão doadas pelo secretário
municipal de Ação Comunitária,
Munir Francisco. Esperamos que as pessoas
doem o resto do material, pois pessoal
tem. Faremos um mutirão para construir”,
conta a presidente, lembrando que quem
quiser e puder pode ajudar a família
com qualquer doação.
A presidente conta que sem ganho fixo a
família não conta com nenhum
benefício oferecido pelos governos
federal e estadual, como Bolsa-Família. “Eles
foram cadastrados esses dias, mas ainda
dependem de documentação.
O Aparecido só tem Carteira de Trabalho,
falta Identidade, CPF e Título de
Eleitor”, ressalta a presidente,
frisando que se o casal tivesse um emprego
digno não precisaria de mais nada. “O
emprego é o principal item que o
ser humano necessita para sobreviver dignamente”,
conclui.
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