| Chuvas
deixam assentamento em estado de calamidade
BARRA MANSA - Se a vida não era
fácil para as centenas de famílias
assentadas no bairro Paraíso de
Cima, na Periferia Leste, ficou pior ainda
com as fortes chuvas que atingiram a cidade
nos últimos dias. No período
de chuva, os barracos que são erguidos
sobre o terreno irregular ameaçam
cair, quando não desabam, em função
do vento forte e da enxurrada que invade
os abrigos. No assentamento há 114
barracos de madeira. Em cada um residem
cinco moradores, em média. A maioria é confeccionada
a partir de caixas de madeira utilizadas
para transportar frutas, papelão,
embalagens, zinco e sobras de materiais
de construção.
O barraco onde Ângela Maria de Souza,
37 anos, mora se encontra em precárias
condições. Depois da chuva
da última semana, a situação
se agravou ainda mais. Ângela se
deparou com uma verdadeira cena de guerra
em sua casa: lama por toda parte, móveis
destruídos pela água, infiltração
nas tábuas colocadas sobre o chão
do barraco, além de ratos e outros
bichos circulando pela casa.
Desempregada há dois anos, Ângela
mal consegue sustentar os quatro filhos.
Se não fosse a ajuda dos irmãos
e os bicos que faz, ela não teria
condições de sobreviver,
muito menos de construir outro barraco
para morar. “Meu filho morava no
barraco de trás e teve que se mudar
para a casa da sogra porque tem um bebê de
quatro meses e a casa está cheia
de lama, quase caindo, mas eu não
tenho pra onde ir. Tenho que ficar aqui.
Quando chove isso aqui vira lagoa”,
desabafa.
Como o de Ângela, vários barracos
do assentamento foram encharcados pela
chuva. Sem água tratada, rede de
esgoto, iluminação, assistência
médica, as famílias que moram
no local sofrem com a falta de infra-estrutura.
A sujeira, o lixo e a lama tomaram conta
do lugar. Além disso, os moradores
convivem com o mau-cheiro e a ameaça
de ver seus barracos lançados ao
chão a qualquer momento. É o
caso da moradora Ana Claúdia Gomes,
36 anos, que mora em um barraco a ponto
de desmoronar. Com a chuva da última
semana e os ventos fortes o barraco inclinou
e está quase caindo. A estrutura
está toda comprometida. “Sei
que é perigoso, mas não tenho
pra onde ir. Temos que esperar o outro
barraco ficar pronto”, diz a dona
de casa, que tem duas filhas.
Segundo uma das integrantes da associação
de moradores, Sandra Aparecida Fernandes,
33 anos, as famílias vivem no assentamento
há nove anos e aguardam a autorização
da Justiça para regularizar a situação
do terreno, inclusive já conseguiram
o apoio do Governo do Estado. “Por
enquanto não temos nada: nem água
nem luz, nada, tudo tem que ser improvisado,
mas assim que resolver o problema na Justiça
vamos ter condições de construir
nossa casa”, afirma a dona-de-casa.
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