Sepe
aguarda novas negociações
com governos municipais
QUATIS E PORTO REAL - À espera
de novas negociações com
os governos municipais, a direção
do Sepe (Sindicato Estadual dos Profissionais
da Educação), os professores
e funcionários administrativos da
rede municipal de Quatis e Porto Real darão
seqüência nos próximos
dias às mobilizações
da campanha salarial deste ano.
Entre as atividades estará a divulgação
da campanha nas escolas municipais, reuniões,
debates e a preparação de
uma carta à população.
Segundo a diretora do sindicato, núcleo
Quatis/Porto Real, Janete Cruz, em reunião
realizada dia 15 com os secretários
de Educação, Finanças
e o Departamento Jurídico da Prefeitura
de Quatis, não houve nenhum avanço
quanto ao reajuste salarial de 30% pedido
pela categoria. A justificativa é de
que o município não tem condições
financeiras para arcar com o aumento salarial,
pois haveria uma sobrecarga nos cofres
públicos, conseqüentemente,
o descumprimento da Lei de Responsabilidade
Fiscal. “O governo municipal acha
o índice reivindicado pelo sindicato
impossível. Informaram que a verba
que o município recebe do Fundeb
não cobre a folha de pagamento e
que o reajuste dependeria de outros recursos,
por isso o prefeito ficou de marcar outra
audiência para apresentar uma contraproposta”,
diz.
Outra reivindicação da categoria é a
redução da jornada de trabalho
de oito para seis horas. Conforme a diretora
do Sepe, em dezembro do ano passado os
vereadores aprovaram por unanimidade a
redução da carga horária
dos professores e enviaram uma mensagem
ao Executivo, intervindo na questão.
Entretanto, o prefeito Alfredo de Oliveira
(PT) negou o conteúdo do texto,
alegando vício de iniciativa. “A
justificativa foi de que cabia somente
a ele elaborar mensagens desse teor. Disse
também que não seria possível
a redução da carga horária
por falta de previsão orçamentária”,
lembra a sindicalista, acrescentando que
no ano passado foi enviado à câmara
um projeto de lei para a readequação
do estatuto dos professores e do funcionalismo,
sobretudo quanto à implantação
do Plano de Carreira dos Profissionais
da Educação. “Desde
a gestão passada, o governo não
resolve esse problema e não é apenas
o de Quatis, mas o de Porto Real também”,
enfatiza Janete, informando que a Prefeitura
de Porto Real ficou de marcar uma nova
reunião com o sindicato, já que
em audiência dia 17 o prefeito não
compareceu.
Segundo Janete, na ocasião estiveram
presentes a secretária de Educação,
Alba Graciani e o secretário de
Assuntos Especiais, Mário Pentel.
Os itens da pauta foram discutidos, mas
não houve uma posição
oficial da prefeitura. “O secretário
não ofereceu nenhuma contraproposta
e disse que o reajuste salarial de 35%
pedido pela categoria não seria
possível. Também foi dito
que a prefeitura fará um estudo
e que até o mês de abril apresentaria
uma proposta”, informa Janete, lembrando
que a concessão de vale-transporte
(residência-trabalho), item considerado
prioridade pela categoria, ainda está indefinido.
“
Mantivemos a reivindicação
de vale-transporte integral, ou seja, de
casa a residência, porque atualmente
a prefeitura fornece transporte até a
rodoviária. O prefeito diz que aumentaria
muito a despesa e acabou dando um auxílio-transporte,
mas estamos esperando, porque no início
do ano passado ele garantiu que seria possível
o benefício”, afirma Janete
Cruz, adiantando que até março
será realizada uma nova audiência.
Caso não haja avanços nas
próximas negociações,
a diretora do Sepe não descarta
a possibilidade de paralisações
como forma de pressionar os governos municipais. “O
governo está enrolando, mas acredito
que haja avanços por se tratar de
um ano eleitoral. Caso contrário,
a direção vai chamar uma
radicalização”, conclui
a diretora do sindicato, que representa
cerca de 500 profissionais da rede municipal,
entre professores e funcionários
administrativos de oito escolas da cidade.
|