Voltar   Clarissa Guedes

DIREITOS
Funcionária revoltada
Licenciada tenta requerer seu FGTS que não foi depositado

VOLTA REDONDA - Funcionária do Hospital São João Batista (HSJB), desde 15 de fevereiro de 1978, a cirurgiã dentista Yara Helena Correard Rodrigues, há cinco meses corre atrás de seu Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Ao procurar a equipe de reportagem de A VOZ DA CIDADE, ela contou que quando foi admitida pelo Serviço Autônomo Hospitalar, sob a administração do governo municipal, exercia a função de secretária no HSJB. Ela lembra ainda que quando começou a trabalhar na unidade ainda não era adotado o critério de prestação de concurso e sim avaliação através de estágio. Com o passar do tempo, mesmo trabalhando, Yara cursou ciências biológicas, pedagogia, nos setores de administração e orientação educacional, e odontologia. Com isso, decidiu exercer a profissão de dentista, cargo que passou a ocupar no hospital em 1º de janeiro de 1992, sob portaria aprovada em Conselho Deliberativo do Serviço Autônomo Hospitalar. Ela explica que continua sendo funcionária do São João Batista, mesmo depois de ter sido levada para a Clínica Odontológica do bairro Santo Agostinho, por causa das mudanças ocorridas na atual administração.
Por ter descoberto que é portadora de carcinoma de mama (neoplasia maligna ou câncer de mama), Yara foi obrigada a pedir licença do trabalho em setembro do ano passado. No mesmo mês, segundo ela, foi internada na Santa Casa de Barra Mansa, em caráter urgente e particular, onde sofreu uma cirurgia, ficando assim uma intervenção para mais tarde. Além de sofrer com a doença, a servidora conta que seu outro dilema tem sido a dificuldade para conseguir receber seu FGTS. Sem condição financeira para realizar seu tratamento, entre outros gastos, vem correndo atrás de seus direitos, mas até agora nada conseguiu. Isso através de seu pai, seu procurador, em virtude de não ter condições de saúde para tratar do assunto. “Estou correndo atrás de um dinheiro meu, de direito e não consigo. Desde setembro, a informação que tive é que o dinheiro não fora depositado na Caixa Econômica Federal e que deveria ser recalculado. Só que estou aguardando e até agora, nada. Tenho informação ainda de que o novo cálculo já foi feito, mas que o caso ainda está na Secretaria Municipal de Fazenda”, conta a funcionária, ressaltando que foi informada pela secretaria de que havia casos na frente para ser solucionados, mas que o seu teria prioridade, já que se tratava de doença. “Disseram que me dariam prioridade, mas até agora não a vi”, completa.

ADQUIRINDO DÍVIDAS

A funcionária explica que devido à demora em requerer seu Fundo de Garantia está contraindo dívidas em cima de dívidas. É que, segundo ela, com os recursos financeiros escassos para cobrir as despesas seu pai e sua irmã foram obrigados a fazer empréstimos bancários com juros altos para a realização do tratamento e manter as despesas iniciais, como transporte, medicamentos e dietas. Yara revela que sua dívida com os familiares já chega a R$ 15 mil. Pelo fato de a paciente morar em Pinheiral, a autorização para a aplicação da quimioterapia e radioterapia tem que se ser feita pelo município, apesar de trabalhar em Volta Redonda. Isso gera gastos, segundo ela.
“ Desde a constatação da doença passei a tratar do assunto com a Prefeitura de Volta Redonda e a direção do Hospital São João Batista, mas passados cinco meses não tive êxito, apesar de a empregadora não poder negar as leis federais de números 8922/94 e 8036/90 (art.20, inciso XI) e complementos, que me favorecem”, lembra Yara. Ela diz não encontrar explicações para tal situação, já que se considerada uma funcionária competente, disciplinada, benquista e cônscia de seus deveres, gozando de bom relacionamento com os colegas e de mais pessoas que integram o ambiente. Lembra também que nunca foi punida e que sempre cumpriu com lealdade seus deveres, que suas funções exigem. “Mesmo assim, os ilustres representantes do governo municipal até agora tentaram me transformar num pedinte do pagamento devido. Isso é o que se pode deduzir”, critica.
“ Qual a importância do Poder Público Municipal quanto ao direito de seus empregados enquadrados nesse transe que pode atingir qualquer pessoa sã? Onde e quando os funcionários serão respeitados em seus direitos?”, questionou Yara Helena.