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Denúncia séria
Num município (Volta Redonda) onde se briga por milhões que seriam ou não repassados para um time de futebol, não se pode admitir que uma funcionária municipal se veja prejudicada justamente porque o município não depositou o correspondente ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), direito adquirido e assegurado por lei.
O caso da dentista Yara Helena Correard Rodrigues, funcionária do Hospital São João Batista (ex-UHG), passando por momentos difíceis e impossibilitada de sacar o seu FGTS, é revoltante e mostra bem o descaso com o funcionalismo numa cidade onde tudo pode ser problema, menos dinheiro.
Funcionária da instituição desde fevereiro de 1978, ela luta contra um câncer de mama (neoplasia maligna), obrigando-a a licenciar-se do trabalho e dando início a sua via crucis.
A insensibilidade da prefeitura, onde se encastelam os poderosos, levou a funcionária a procurar ajuda na imprensa, justamente no jornal independente que, prontamente, divulgou a matéria, alertando a comunidade pela injustiça que se comete contra uma servidora depois de 26 anos trabalhados para o município.
Um outro absurdo que ela enfrenta é a imposição de ser atendida na quimioterapia e radioterapia em Pinheiral, onde reside, impedida de receber a assistência em Volta Redonda, onde trabalha na área da saúde.
Enquanto o jogo de empurra continua, sem que ninguém assuma a responsabilidade de resolver o seu drama, ela vai contraindo dívidas em seu nome e de seus familiares, transformando a sua vida numa bola de neve em que os problemas crescem fermentados pela indiferença oficial.
A última chama de esperança foi dada a Yara em setembro do ano passado, quando lhe informaram que o FGTS não havia sido depositado e deveria ser recalculado para ser depositado na Caixa Econômica Federal.
Decorridos quase seis meses, nada foi feito, o que caracteriza desrespeito com o cidadão e abuso de poder.
Até quando a funcionário vai continuar acumulando dívidas por culpa exclusiva da incompetência do serviço público?
Não seria o caso de a câmara mostrar a sua força e cobrar de quem de direito o cumprimento do dever? Afinal, o vereador é a voz do povo no poder.