Notícias
com impacto
A melhor maneira para esconder uma forte
notícia é produzir outra que
cause maior impacto. Não à toa
que o panfleto semanal dos Civita traz na
capa desta semana um Fidel de olhos arregalados
substituindo Benjamin Franklin no verso de
uma nota de cem dólares. Franklin é reconhecido
pelo papel que desempenhou na independência
norte-americana, principalmente por ter construído
o tratado de paz assinado em 1783. Mas também
foi o inventor do pára-raios. Como
se sabe, o distinto invento serve para atrair
as danosas descargas elétricas oriundas
dos céus. A revista Veja bem sabia
que nesta semana cairiam raios sobre líderes
da oposição. Para neutralizá-los,
nada mais fulminante do que atrair Fidel
para o centro do esquema petista de captação
de recursos ilegais.
Mas o que Veja quer esconder? Em primeiro
lugar, busca tirar de cena o caso do senador
mineiro Eduardo Azeredo, revelado na semana
passada pela concorrente Isto É. A
revista provou que Marcos Valério
pagou o silêncio do ex-tesoureiro da
campanha de Azeredo, Marcos Mourão,
com um cheque de 700 mil. A denúncia
da Isto É, que derrubou o senador
da cadeira de presidente nacional do PSDB,
ainda trazia revelações que
ficaram sem explicações.
A ver: “Embora os caciques do PSDB
argumentem que o dinheiro que abasteceu o
caixa 2 de Azeredo não tinha origem
em corrupção nem em verbas
públicas, as provas indicam o contrário:
boa parte dos recursos da campanha mineira
teve origem em empresas estatais, como as
Centrais Elétricas de Minas Gerais
(Cemig)”.
Em 21 de outubro de 1998, por exemplo, saiu
R$ 1,6 milhão dos cofres da Cemig
como pagamento à SMP&B, uma das
agências de Marcos Valério.
O pretexto para o pagamento era a produção
de uma campanha publicitária da estatal
para convencer os mineiros a gastar menos
energia. Segundo a investigação
do MP, o dinheiro teve outro destino. No
dia seguinte, R$ 1,2 milhão foi parar
nas contas de políticos aliados de
Azeredo.”
Mas não era só aos amigos tucanos
que a capa com Fidel na nota de cem dólares
interessava. Desde o fim de semana passado
comentava-se em Salvador que a revista Carta
Capital traria fortes revelações
sobre o esquema da Bahiatursa, estatal de
turismo local subordinada a Secretaria de
Cultura e Turismo do governo do Estado. E
trouxe. Mas a operação pára-raios
de Veja parece ter dado resultado. O midiático
poder ignorou a descarga elétrica
que, se bem investigada, pode aniquilar com
o esquema de ACM.
A denúncia publicada por Carta Capital
tem origem em um relatório do Tribunal
de Contas do Estado (TCE) assinado pelo conselheiro
Pedro Lino. São 200 páginas
que revelam como funciona um caixa 2 operado
a partir de contratos do governo do Estado
com a agência de publicidade Propeg
e ONGs formadas por funcionários públicos
do esquema carlista. O relatório de
Pedro Lino fala de uma movimentação,
entre janeiro de 2003 a abril de 2005, de
R$ 101 milhões em uma conta bancária
não registrada no sistema de controle
do caixa oficial do Estado. Renato Rovai
Jornalista e editor da revista Fórum
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