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ALÉM DA PIPOCA
APAGUEM AS LUZES

Quem tem medo de escuridão? Eu não. E aposto que a maioria do público que dedicou 93 minutos do seu tempo para assistir à produção inglesa, dirigida por John Fawcett, também não tem medo de escuridão. E se tivesse, agora não tem mais. Estamos falando de Escuridão, em cartaz nos cinemas da região que de terror, me desculpem, não tem nada. Ou melhor, até tem, mas gritos e barulhos estrondosos já são clichês e não assustam mais.
O elenco é ruim, exceto pela atuação de Sean Bean (O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei), que agrada um pouco, mas melhor do que ele é a atuação da pseudo-vilã-sedenta-por-ressuscitar Abigail Stone, que interpreta o espírito de Ebrill.
O roteiro? Ainda não descobriram? Como de praxe, um clichezinho básico. Uma mãe que tem problemas com a filha. As duas viajam para um lugar distante, com lendas e/ou espíritos malignos que habitam no local. Alguns sustos, cortes de câmeras rápidos e uma tentativa de suspense. Falta criatividade. O resultado? Um terror de filme (com trocadilhos, é claro!).
Nesse filme, o lugar distante fica no País de Gales, no Reino Unido, onde cultos religiosos baseados em mitos gaélicos eram realizados no passado. O filme não explica, mas afinal de contas, o que são esses mitos gaélicos que tanto assustam, mas só quem mora em Gales conhece? Será que a Princesa de Gales, Ladi Di, conhecia? Nunca saberemos.
Não vamos apenas criticar o filme. Ele tem alguns pontos positivos. Mas são poucos. O final até que não é ruim. Pensamos que tudo fica bem, quando tudo acaba mal. Saímos com uma impressão que de nada adiantou assistirmos ao filme, pois nada acontece de relevante, lógico, a não ser pelo final.
A fita não é perturbadora. O enredo não é bom. Incoerências são observadas a todo tempo. Perguntas ficam sem respostas. Respostas são dadas para perguntas que não foram feitas. Detalhes que poderiam fazer a diferença como o símbolo que aparece no abatedouro (o mesmo da capa do filme) ou a relação filha-pai com o código Morse poderiam ser exploradas mais a fundo.
No fim, quando as luzes apagam e a escuridão toma conta da sala de cinema, pessoas se questionam: “Acabou mesmo?!”. Chegamos à conclusão que seria melhor (e mais assustador) ficar 93 minutos em total escuridão, que talvez seria mais assustador do que assistir à fita. Não é um filme que se recomende aos inimigos, que dirá aos seus amigos.

Felipe Cruz
é acadêmico de Jornalismo do
Centro Universitário de Barra Mansa
e apaixonado por cinema