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A
transferência dos presos da sede
da PF para o presídio do Rio
foi tumultuada
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XEQUE-MATE
PF faz megaoperação
Além de prisões foram cumpridos
14 mandados de busca e apreensão
VOLTA REDONDA - Na maior operação
da história já realizada
na Cidade do Aço e em Pinheiral,
Barra Mansa, Japeri e São Paulo,
a Polícia Federal cumpriu na manhã de
ontem 36 mandados de prisão. A maioria
dos presos morava nos bairros Aterrado,
Vale Verde e Vila Brasília. Além
das prisões foram cumpridos outros
14 mandados de busca e apreensão.
Denominada Xeque-Mate, a megaoperação
contou com a participação
de 100 homens, a maioria da Superintendência
da Polícia Federal do Rio de Janeiro
e 28 veículos, além do auxílio
de dois soldados do Exército, equipados
com detectores de metais. O objetivo era
localizar dois fuzis AR-15 que, segundo
a polícia, estariam escondidos numa área
rural da cidade. Porém, as armas
não foram localizadas.
Segundo o delegado titular da PF na Cidade
do Aço, César Augusto Gaspar,
um dos comandantes da operação,
a quadrilha era formada por cerca de 50
traficantes de drogas que atuavam em Volta
Redonda e região, que no ano passado
movimentou em torno de R$ 1,5 milhão
com a distribuição de 60
quilos de cocaína. De acordo com
as investigações, a droga
era enviada de São Paulo para Volta
Redonda por integrantes do Primeiro Comando
da Capital (PCC), facção
criminosa à qual Anísio Rodrigues
de Melo, 31 anos, pertence.
Anísio era o chefe da quadrilha
que foi desbaratada ontem. Ele foi preso
no dia 13 de janeiro numa churrascaria
na cidade de Taubaté, interior de
São Paulo, onde estava escondido
há três meses. Além
de Anísio, em dezembro e janeiro
foram presas outras 13 pessoas da quadrilha.
As investigações constataram,
ainda, que, além do PCC, no bando
há também traficantes ligados
ao Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro.
AS PRISÕES
Em uma das incursões, no bairro
Santa Rita, entre Volta Redonda e Barra
Mansa, os policiais federais prenderam,
num sítio, João Ferreira
de Oliveira, 61 anos. No local foi apreendida
uma pistola calibre 40, de uso exclusivo
das Forças Armadas. A arma estava
com a numeração raspada.
Em seu depoimento João negou pertencer à quadrilha
de Anísio, afirmando que apenas
trabalhava como caseiro no sítio.
Porém, segundo a polícia,
o local era usado para esconder armas e
drogas da quadrilha. Com relação à arma,
ele disse que havia ganhado de presente
de Anísio. Segundo a polícia,
João Ferreira já cumpriu
pena de 15 anos no complexo penitenciário
de Gericinó, Zona Oeste do Rio de
Janeiro, por tráfico de drogas.
Em outra incursão, no bairro Belo
Horizonte, em Volta Redonda, os agentes
da Polícia Federal detiveram um
menor de oito anos. Em seu poder foi apreendida
uma mochila contendo R$ 7 mil que pode
ser da venda de drogas. Segundo testemunhas,
ao ver os policiais a mãe do garoto,
Valéria dos Santos, deu a mochila
para o filho segurar. Valéria, que
segundo a polícia pertence à quadrilha
de Anísio, foi presa no local. Ela é mulher
de Geovane dos Santos, o Vaninho, ex-presidiário
que, após a prisão de Anísio,
passou a comandar o tráfico de drogas
no complexo de favelas da Vila Brasília.
Vaninho conseguiu escapar do cerco policial.
Ontem mesmo, dos 36 presos, 33, entre eles
várias mulheres, duas delas moradoras
de São Paulo, foram transferidos
para o Sistema Prisional do Rio de Janeiro
num ônibus da Viação
Cidade do Aço e em carros da própria
Polícia Federal.
“
Esta foi a maior operação
da Polícia Federal na região
e resultou no maior número de prisões
da história”, diz o delegado
César Augusto, acrescentando que
as investigações continuarão.
Ontem, ele interrogou vários presos
ante de eles serem transferidos.
TUMULTO E AGLOMERAÇÃO
A megaoperação realizada
ontem em Volta Redonda provocou uma grande
agitação em frente à sede
da Polícia Federal. no bairro Aterrado.
Apesar de ser um dos lugares mais calmos
do bairro, o local ficou agitado com a
chegada de jornalistas, fotógrafos,
parentes e amigos dos presos, além
de dezenas de curiosos que pararam no Viaduto
Heitor Leite Franco para assistir à transferência
dos presos para o Rio de Janeiro. Até a
rua, pouco movimentada, ficou engarrafada
por veículos e pedestres, quando
os presos começaram a sair para
entrar no ônibus e carros que os
levariam para a capital.
Como sempre, o pessoal da imprensa, principalmente
os fotógrafos, são os mais
ofendidos verbalmente e sofrem as mais
variadas tentativas de agressão
por parte dos parentes dos bandidos. Foi
o caso da fotógrafa estagiária
de A VOZ DA CIDADE, Clarissa Guedes, que
sofreu uma tentativa de agressão
por parte de uma mulher, provavelmente
parente de um dos presos, que estava no
meio da multidão. Ela foi empurrada
e xingada pela mulher, que gritava palavras
de baixo calão. Não fosse
a intervenção do fotógrafo
do jornal O DIA Ernesto Carriço,
a fotógrafa poderia ter sofrido
agressão mais grave.
| Relação
dos membros da quadrilha: |
Anísio
(chefe da quadrilha)
Diogo (traficante)
Vaninho (gerente da “boca”)
Olinto (distribuidor, olheiro e receptor das “mulas”)
Natalina (idem)
Juninho (olheiro e facilitador)
Rafaela (recepção às “mulas”)
Nilton (idem)
Quiel (idem)
Gleisson (gerente de “boca”)
Gabriela (“mula”)
Gleidson (vendedor na “boca”)
Walker (idem)
Jabá (traficante e fornecedor)
Joziana (“mula”)
N., o menor de idade (“mula”)
Regiane (esposa de Anisio, “laranja”)
Fabíola (gerente de “boca” em Pinheiral)
Kátia (usuária e traficante)
Ingrid (facilitadora)
Severo (“mula”)
Maria Izabel (idem)
Jonathan (idem)
Waguinho (irmão de Vaninho)
Valéria (esposa de Vaninho)
Pituí (fornecedor)
Monique (“mula”)
Sebastiana (mãe de Anísio, “laranja”)
Catarina (idem)
Alessandra (idem)
Wilson (“mula”)
Marta (idem)
Fefê (distribuidor e depósito)
Jailton (“mula”)
Rosana (tia de Anísio)
Márcio Boquinha (fornecedor de armas e drogas)
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