Todo
poder ao cidadão
Não é fácil mudar
o mundo. As constantes imagens de famintos,
mulheres desrespeitadas e a extrema falta
de dignidade humana em diferentes lugares
nos comovem. Mas sabemos que todo o esforço
do Estado, às vezes, é pouco
para mudar a situação. É por
isso que o surgimento das Organizações
Não Governamentais, a partir da
Segunda Guerra Mundial, deve ser visto
como um esforço de cidadãos
preocupados em transformar a realidade.
Há cinqüenta anos, a expressão “direitos
humanos” praticamente não
aparecia na mídia ou nos meios diplomáticos.
E foi por causa desta bandeira que algumas
organizações não governamentais,
amparadas por manifestações
populares, surgiram para persuadir governos
e mecanismos diplomáticos das Nações
Unidas, criando um movimento mundial em
defesa dos diretos humanos. O resultado é visível
cinqüenta anos depois.
Em nosso Brasil, um grande exemplo de trabalho
e organização não
governamental foi quando o sociólogo
Herbert de Souza, o Betinho, fundou a IBASE
- Instituto Brasileiro de Análises
Sociais e Econômicas, em 1980. Ele
dizia que o não-governamental não
veio por acaso. De alguma forma, as ONGs
constituem a crítica moderna aos
fracassos e descaminhos do Estado e às
deficiências de instituições
como os partidos, prefeituras e sindicatos.
Mas, foi a partir da realização
da ECO-92, no Rio de Janeiro, que as ONGs
ganharam mais força e passaram a
atuar como parceiros locais das agências
de cooperação internacional.
Muitas entidades surgiram desta experiência
e coletam resultados que o Estado jamais
alcançaria em temas importantes
como educação, cultura e
cidadania. O método mais prático
para a atuação de uma ONG é através
de projetos e todo cidadão pode
se organizar para desenvolver um projeto
de alcance social.
No Rio de Janeiro, há cerca de 52
entidades filiadas a Associação
Brasileira de Onganizações
Não Governamentais – ABONG.
Todas tem uma causa justa de movimento
e luta. São pelos direitos de crianças
e adolescentes, pela formação
de educadores sociais, pelo combate a fome
e a miséria, pela defesa dos direitos
da mulher trabalhadora, pela promoção
de cultura e cidadania, pela inclusão
digital e produtiva, pela defesa da vida
e pela dignidade da pessoa humana, entre
outras bandeiras. É uma forma de
acelerar a solução de problemas
que a máquina burocrática às
vezes não consegue resolver. E o
que é melhor: é uma forma
de dar mais poder de realização
ao cidadão.
Acredito nesta forma de trabalho. Tanto
pela facilidade de gestão de projetos
e prestação de contas, quanto
pela inserção social, capaz
de apresentar mais resultados práticos.
Tanto é que fundei em 1997 a ONG
Rede de Solidariedade, para a qual sempre
dediquei recursos próprios. Ela
trabalha, em parceria com a Unifoa, A Escola
Viva e as comunidades religiosas, pela
inclusão digital e social, oferecendo
cursos de informática e capacitação
produtiva. Além disso, dois projetos
de emenda pessoal de meu mandato, nas áreas
de esportes e lazer e inclusão digital,
são gerenciados por ONGs de reconhecida
eficiência.
O trabalho sério das Organizações
Não Governamentais – ONGs
- ou das Organizações Sociais
de Interesses Públicos – OSCIPs
- deve ser conhecido e respeitado. Prefeitos
e lideranças políticas às
vezes criticam e minam os trabalhos de
entidades por um notório conservadorismo – o
medo do novo, de delegar poderes - ou indisfarçável
ignorância. Sem saber, quem assim
o faz, age contra um dos maiores avanços
dos últimos cinqüenta anos.
Que é a capacidade do Estado dar
poder (empoderar) ao cidadão para
que ele trabalhe pelo bem da coletividade.
Isso é o que renova a universal
esperança de mudar o mundo, construindo
uma sociedade mais justa e informada, na
qual todos usufruem os benefícios
da democracia.
Paulo Baltazar
Deputado Federal (PSB – RJ)
deputadobaltazar@yahoo.com.br
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