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Modelos econômicos

Não entendo muito bem de teorias econômicas mas sei ler e creio que tenho bom senso, assim como a maioria dos leitores de jornais.
Compreendo que o estado é mal gerido, desperdiça recursos pela incompetência e pela corrupção, que o diga o "Lulla", o campeão imbatível do aumento de impostos e tempo de contribuição da previdência, aqui ainda podemos considerá-lo o rei da fila. Porém, o Estado pode ser bem gerido, com eficiência, como demonstram os governadores Geraldo Alckmin (SP) e Aécio Neves (MG), que disputam o campeonato da redução dos impostos e dos gastos.
O empresário Paulo Cunha, do grupo Ultra, lembrou recentemente que o Brasil foi o país que mais cresceu no mundo de 1900 a 1973 e, hoje, é o 93º em crescimento econômico. E crescia apesar de guerras, golpes de estado e suicídio de presidente.
E o que produz o crescimento do Brasil e de outros países? A mesma coisa que produziu o milagre econômico alemão do pós-Guerra, o do Japão e, agora, está produzindo o milagre na Ásia, ou seja, câmbio alto e juro baixo. O oposto do nosso modelo econômico tão defendido pela nossa sapientíssima equipe econômica. Justamente estes que passaram os últimos anos criticando o modelo.
Uma coisa que sei é que cada ser humano tem um potencial de produção, uma capacidade produtiva. E, também, precisa de alimentos, água potável, assistência médica, roupas e moradias no mínimo para viver.
A existência do desemprego sugere-me a grande estupidez da gerência da política econômica, pois o desempregado continua a ter as necessidades básicas. Assim, sem produzir, o desempregado precisa consumir. Então, subtrai de outros aquilo que necessita. Do Estado ou da família.
É interessante observar quando não se vende o que se produz. Reduz-se a produção, demitindo os funcionários "excedentes". Estes param de consumir, gerando uma avalanche de desemprego e recessão.
Excluindo as limitações incontroláveis, como intempéries climáticas, os impostos e os lucros, quando excessivos, são os principais responsáveis pela recessão e desemprego. Assim, cabe ao estado reduzir seus custos à sociedade e criar políticas para promover o desenvolvimento econômico do país. Em especial, respeitar o direito humano ao emprego em primeiro lugar e a uma remuneração justa e eqüitativa à produção.
Isso só ocorrerá quando o eleitor brasileiro despertar para sua cidadania, compreender que é com o seu voto que será escolhido um político e conseqüentemente uma política. E, mais, se a sociedade organizada mostrar que está interessada em gestão eficiente, estado mínimo, redução de impostos e melhoria dos serviços públicos, certamente, novos políticos surgirão com soluções criativas que melhorarão nosso tão ineficiente país.

Mário Eugênio Saturno
Tecnologista Sênior da Divisão de Sistemas Espaciais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. (mariosaturno@uol.com.br)