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Mudanças necessárias
As mudanças propostas na legislação eleitoral estão sendo aguardadas com o mais vivo interesse, pela importância que representam para o futuro da política brasileira. A proposta prevê, entre outros pontos, o financiamento público de campanhas e a fidelidade partidária.
A proibição dos famigerados showmícios e da desbragada distribuição de brindes abrirá novas perspectivas ao eleitor, que voltará a ter o contato corpo-a-corpo para escolher em quem votar.
O trabalho do candidato ficará concentrado no seu esforço pessoal e na habilidade para sensibilizar o eleitorado, fugindo da massificação dos eventos milionários, sem sempre ao alcance de todos.
O financiamento das campanhas exclusivamente com dinheiro público, proibindo-se as doações de pessoas físicas e empresas, vai resgatar a credibilidade da política sadia, acabando com o relacionamento entre os agentes políticos, quase sempre obrigados, para sobreviverem em suas campanhas, a captar recursos de empresas privadas, que poderão ser usados, depois de eleitos, como moeda de troca.
A fidelidade partidária poderá ser uma medida de fortalecimento dos partidos, pois o eleitor, via de regra, vota no candidato, sem se preocupar com a legenda, criando os vícios nocivos à ética e gerando, em alguns casos, a impunidade.
Os partidos são, na verdade, os verdadeiros responsáveis pelo sucesso dos seus filiados, que, por seu turno, devem-lhe obediência, senão pela natureza do cargo, pelas regras dos seus estatutos.
Existem aberrações que precisam ser combatidas, como o caso de candidatos que, logo depois de eleitos, deixam a legenda antes até da solenidade de posse, agindo absolutamente por conveniência pessoal.
As medidas estão sendo esperadas pelos políticos que desejam, realmente, a moralização da legislação pertinente. Naturalmente que aqueles que sobrevivem com as siglas de aluguel ou aqueles que se profissionalizaram na política são contrários às modificações, pois elas contrariam os seus interesses, quase sempre escusos.
A redução do número de partidos, limitando-os consideravelmente, é outra medida moralizadora que os verdadeiros políticos, aqueles imbuídos do espírito público, estão aguardando.