Voltar   

Câmara aprova projeto que impõe regras
para venda de bebidas no Raulino

VOLTA REDONDA - A Câmara Municipal aprovou o projeto de lei de autoria da vereadora América Tereza (PMDB) que regulamenta a venda de bebidas no interior do Estádio Raulino de Oliveira. Ela quer que o vendedor abra a lata na presença do consumidor, ao contrário do que ocorre atualmente, quando as bebidas são levadas em copos plásticos para ser vendidas nas arquibancadas. Em sua justificativa a vereadora afirma que a lei tem por finalidade garantir que os torcedores consumam uma bebida de qualidade. O projeto já se encontra em poder do prefeito Gotardo Neto (PV), que poderá sancioná-lo ou vetá-lo. Os torcedores e chefes de torcida aprovaram a mudança do método de venda das bebidas no estádio.
Em entrevista a A VOZ DA CIDADE, América Tereza disse que a medida visa apenas proteger os torcedores. “O que estou fazendo não é nada contra quem explora o bar do estádio. Até porque nem o conheço. Não sei quem é. Mas não há nada que o prejudique na lei. Porém, não concordo com a forma como servem as bebidas nas arquibancadas. Você não sabe o que realmente está bebendo, se é um guaraná Antarctica ou Taí. O mesmo vale para a cerveja. O produto pode até estar contaminado, pois o copo está aberto e todos falam em cima dele, além da poluição do ar, já que lá tem muita poeira. Foram esses tipos de coisas que me levaram a entrar com o projeto. A minha preocupação é com a segurança da bebida que estamos consumindo”, justifica a vereadora.
América Tereza diz que tomou a decisão após ouvir várias reclamações: “Chego ao estádio e vou direto para a arquibancada; não fiscalizo as cantinas. Mas conversando com as pessoas elas me disseram que a bebida que pedem não é a mesma que foi servida. Você pede uma água mineral, mas não sabe de onde ela saiu. Pode ser até da torneira. O próprio consumidor (torcedor) pode abrir o vasilhame e se servir e depois devolver ao vendedor”, exemplifica a vereadora.

OTIMISTA

A vereadora está otimista quanto à sanção do projeto por parte do prefeito porque, segundo ela, a lei não é inconstitucional nem onera os cofres públicos. “Não vejo razão para o prefeito vetar o projeto, porque ele não representa gastos e não há nenhum item que prejudique o município. E também não há motivo para alegar a sua inconstitucionalidade. Ao contrário, a mudança trará mais segurança para os munícipes, já que preservará a saúde das pessoas que consomem as bebidas servidas no estádio. Por todos esses motivos decidi apresentar o projeto na câmara. Além disso, com essa medida estamos tentando modernizar ainda mais a nossa cidade que, por sinal, tem um dos estádios mais modernos do País”, ressalta América Tereza.
Confiante no seu projeto, a vereadora fez um apelo ao responsável pela exploração dos bares no interior do estádio. Ela quer que ele se antecipe e faça as alterações previstas no projeto, antes mesmo da sua sanção. “Ele poderia ir se adequando às mudanças antes que o projeto se torne lei. Seria uma atitude de bom senso e coerência da parte dele e também de respeito ao torcedor, já que ele tem conhecimento que o projeto está tramitando”, frisa.
A equipe de reportagem de A VOZ DA CIDADE tentou falar com o responsável pela exploração dos bares do estádio, mas ele não foi encontrado. O prefeito Gotardo também foi procurado, mas sua assessoria informou que ele estava viajando.

MUDANÇAS APROVADAS

As mudanças no sistema de venda de bebidas no Raulino de Oliveira foram bem recebidas pelos torcedores. Um deles é Flávio Braga, o popular Fubá, chefe da torcida organizada do Voltaço, Charanga do Fubá. Ele aprova as mudanças reivindicadas pela vereadora e vai além. Critico também os preços cobrados pela lata de cerveja no estádio - R$ 2 (Antarctica) e R$ 2,50 (Skol). De acordo com Fubá, como a lata de Antarctica é R$ 0,50 mais barata que a Skol, eles colocam menos Antarctica para vender. O comerciante Joaquim Silva, 56 anos, também concorda com as mudanças previstas no projeto de lei de América Tereza. Segundo ele, com as novas medidas o torcedor terá mais segurança quanto ao produto que está consumindo, além de ter sua saúde preservada.