Voltar   C.F.Santana

SAÚDE
Doentes esquecidos
Enfermos não recebem remédios em prazo definido pela Justiça

BARRA MANSA - Nem mesmo as decisões judiciais têm conseguido fazer a administração municipal investir na saúde da população. Pacientes são obrigados a entrar com processos na Justiça para conseguir os remédios necessários aos tratamentos. Além de tudo estão tendo que esperar a organização da Secretaria de Saúde para comprar os medicamentos.
Diariamente forma-se uma fila de pessoas que continuam na espera de conseguir um remédio.
Nessa situação encontra-se a aposentada de 78 anos Esmeralda Rodrigues de Carvalho. Ela tem diabetes, pressão alta e osteoporose. Para manter os sintomas da doença em situação de controle, a doente precisa utilizar cinco medicamentos controlados que somados os valores chegam a R$ 600.
De acordo com seu filho, o metalúrgico André Paulo Rodrigues de Carvalho, 38 anos, em meados de 2004 foi liberada a sentença que obrigava a prefeitura a fornecer os remédios todo mês para a aposentada. Mas, segundo ele, nos dois primeiros meses os medicamentos foram entregues em dia e após o período em que a Justiça estava tomando conta a administração municipal começou a deixar atrasar a entrega dos remédios controlados.
“Eu estive na farmácia ontem e me disseram que talvez chegue na próxima segunda-feira. Se não, serão entregues os remédios apenas na outra semana. O problema é que minha mãe não pode ficar sem tomar os medicamentos e já se passou uma semana em que os remédios acabaram”, desabafa o metalúrgico. André revela que recebeu apenas um dos cinco remédios e que todo mês a novela tem se repetido.
Segundo ele, todos os meses são exigidos pela secretaria a apresentação de uma receita médica indicando o uso dos medicamentos de uso contínuo. E, além disso, para aumentar o atraso dos remédios a secretaria está atrasando a entrega em cerca de 60 dias. “Minha família está tendo que fazer dívidas para comprar os remédios porque quando ela fica sem tomar as drogas não passa bem”, diz o metalúrgico.
Ele também reclama do horário que a farmácia definiu para o atendimento ao público. André comenta que só consegue receber qualquer informação sobre os medicamentos no horário das 8h30min às 12 horas, e que na parte da tarde, mesmo que apresente justificativas, nunca consegue qualquer posicionamento dos funcionários do órgão.

FILA EXTENSA

A fila de problemas similares ao de Esmeralda se multiplica na espera pela liberação da definição da Justiça. A dona-de-casa Rosilene Silva de Carvalho, 47 anos, filha da aposentada Darvina Maria da Silva, 70 anos, afirma que a situação de sua mãe é semelhante à da família de André. Segundo ela, por meio de processo judicial sua mãe conseguiu o direito de receber cinco medicamentos comprados pela Secretaria de Saúde.
Mas apenas os baratos são entregues; os de efeito controlado sempre atrasam. “O juiz bateu o martelo, mas parece que a prefeitura é maior que a Justiça. Eles não cumprem a ordem judicial e fica por isso mesmo”, revela a dona-de-casa.