| CAMPANHA
SALARIAL
Educação em greve
Prefeito não recebe comissão
de negociação; movimento será marcado
por trabalhos de conscientização
BARRA MANSA - Os profissionais da educação
da rede municipal presenciaram ontem mais
uma vez a intransigência do governo.
Numa tentativa frustrada de negociação,
a comissão de profissionais, formada
por professores, funcionários administrativos
e membros do Sepe (Sindicato Estadual dos
Profissionais de Ensino), depois de uma
hora de espera e muitas discussões
foi recebida pelo secretário de
Administração, Fanuel de
Paula. Segundo a direção
do sindicato, ele se comprometeu de conversar
com o prefeito amanhã e agendar
uma audiência para segunda-feira.
Mas parece que não foi convincente.
Cansados de esperar, os profissionais decidiram
em assembléia realizada no Centro
Administrativo partir para uma posição
mais radical. Na opinião da categoria,
o governo está protelando e não
tem intenção de negociar,
muito menos apresentar uma proposta que
seja favorável à classe.
Ficou decidido que a partir de segunda-feira
os profissionais da educação
vão deflagrar greve geral.
Para a coordenadora regional do Sepe e
professora da rede, Mariana de Paula Caetano,
as paralisações anteriores
pressionaram o governo municipal, mas não
foram suficientes para resolver a situação
que se arrasta desde o dia 25 de janeiro,
quando uma pequena comissão da educação,
juntamente com o sindicato do funcionalismo,
se reuniu a contragosto do prefeito e não
foi feita nenhuma proposta concreta a respeito
de reajuste salarial, o que foi prometido
pelo prefeito assim que as contas do Fundamp
fossem equilibradas.
“
Já passou da hora de construir a
greve. Demos prazo demais. Ele quer esfriar
o movimento, mas na escola não vamos
conseguir convencer os outros”, enfatizou
Mariana durante a assembléia.
De acordo com Paulo César de Souza,
um dos diretores do Sepe, a hora é de
fortalecer o movimento, buscando apoio
da comunidade e a adesão de um número
maior de profissionais. “Temos de
avançar. As meias paralisações
não funcionam mais com esse governo.
Vamos partir para a greve e convencer os
colegas a participarem do movimento”,
convoca o sindicalista.
Hoje, a mobilização contará com
trabalhos de divulgação da
greve nas escolas. A idéia é esclarecer
a pais e alunos sobre o movimento e conquistar
o apoio da comunidade escolar. Os professores
de 1ª a 4ª série do Ensino
Fundamental vão enviar comunicados
aos pais, explicando a situação
da categoria que desde o dia 8 estava em
estado de greve. Já os professores
de 5ª a 8ª série ministram
uma aula a fim de comunicar os alunos da
greve e em seguida os dispensa.
Também foi decidido entre os profissionais
da educação, durante a assembléia,
ampliar a divulgação da greve
com auxílio dos meios de comunicação,
panfletos, faixas, cartazes, carro de som
e cartas à comunidade.
Para segunda-feira estão programadas
concentrações em frente às
escolas, seguidas de uma corrida de convencimento
aos demais profissionais. Serão
distribuídos materiais de divulgação
do movimento e feitos esclarecimentos à comunidade.
O trabalho de esclarecimento será realizado
em todos os turnos.
Como parte das atividades da greve, na
terça-feira está prevista
uma aula pública na Praça
da Matriz, em dois horários: 9 e
13 horas. A intenção é fazer
uma mobilização unificada
com os professores da rede estadual.
Nessas aulas serão denunciadas as
perdas salariais da categoria e a recusa
do governo em atender a comissão
de greve, entre outras omissões.
Na parte da tarde, os profissionais da
educação se reúnem
novamente em assembléia, às
15h30min, na Câmara Municipal, para
definir os rumos do movimento.
Na mobilização de ontem,
nem a chuva que atingiu a cidade durante
a tarde desanimou os profissionais que
estavam no centro administrativo à espera
de uma posição do governo.
Cerca de 150 pessoas lotaram o hall de
entrada da prefeitura. Durante o dia, o
movimento teve maior participação
dos profissionais. Segundo o sindicato,
a adesão dos profissionais foi de
70% por parte daqueles que lecionam para
1ª a 4ª série e atingiu
90% dos professores de 5ª a 8ª série.
“
A gente sentiu que quem não parou
falta ser convencido. Não podemos
continuar sendo enrolados”, ressalta
Mariana Caetano.
A categoria pede reposição
de 65%, referentes às perdas salariais
dos últimos anos sem aumento, convocação
dos concursados e a redução
da contratação, implantação
do Plano de Cargos e Carreira, incorporação
da dupla regência, entre outros itens.
|