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Duda de saia
A quarta-feira foi repleta de lances inusitados, aqui e em Brasília. Na capital federal, o publicitário Duda Mendonça, dizendo-se instruído por seus advogados, permaneceu durante toda a sessão destinada a ouvi-lo na CPI respondendo a cada indagação: "Não vou responder". Respaldado por hábeas-corpus, Duda ficou em silêncio absoluto, o que levou ao desespero os deputados da CPI dos Correios.
Em Brasília, houve o respaldo legal para que o publicitário se esquivasse das respostas, o que, evidentemente, deixou de oferecer qualquer avanço nas investigações dos membros que apuram o envolvimento de Duda com o "valérioduto".
A sociedade ficou frustrada, pois todos aguardavam declarações que pudessem incriminar ou absolver o conhecido publicitário.
Aqui, o juiz e diretor do Fórum, Paulo Cosenza, presidiu audiência de esclarecimento entre o promotor de Justiça Eleitoral, Marlon Oberst Cordovil, e a pré-candidata Tânia Brasil, mulher do prefeito, acusada de promover propaganda extemporânea, contrariando a legislação eleitoral.
Apesar do farto material fotográfico mostrando carros com o slogan da administração e o plástico da pré-candidata, denúncia levantada por nosso jornal, Tânia Brasil negou tudo, justamente como fez Duda Mendonça em Brasília.
Disse desconhecer por que o plástico tem o seu nome ligado ao sobrenome de seu marido, que ela não adotou; negou a sua pré-candidatura a deputada estadual; disse desconhecer quem mandou fazer os plásticos.
Foi além, quando indagada pelo Promotor Oberst se conhecia vários nomes por ele citados, proprietários de veículos flagrados com os adesivos, disse não conhecer nenhum, mas enrolou-se quando um dos nomes citados foi de sua filha.
A sua resposta não convenceu a opinião pública: "Minha filha chegou em casa e me contou que colaram adesivo no carro dela. Ele é colocado por fora", afirmando que não lembra quando isso aconteceu.
Outro absurdo foi quando a pré-candidata disse não conhecer, ou conhecer de nome, o empresário Serguei da Cunha Lima, proprietário da Gráfica Lima, de Barra do Piraí, cogitado como o local onde os adesivos teriam sido confeccionados. Momentos antes, ela foi vista conversando com o empresário no corredor do Fórum.
As declarações da mulher do prefeito seguramente não a deixam à vontade para continuar postulando a sua candidatura à Assembléia Legislativa. A Justiça Eleitoral já colocou a sua possível participação na berlinda e após 1º de julho, quando começará a campanha, as suas palavras serão checadas e havendo coincidência com os fatos ora questionados ela poderá ter a sua participação impugnada.
Na verdade, a pré-candidata viveu o seu dia de Duda Mendonça. Sem habeas-corpus.