| MAIS
UM ROUND
Prefeitura x Light
Multinacional francesa
informa que a Justiça
declara ilegal
cobrança do IPTU e
prefeitura desmente
RIO CLARO - A Light informou pela imprensa
regional a decisão judicial que
declara ilegal a cobrança do IPTU
sobre áreas da empresa na cidade.
Afirma ainda que o Tribunal de Justiça,
através da 18ª Câmara
Cível, deu o ganho de causa para
a multinacional francesa, anulando, assim,
as inscrições em dívida
ativa e acabando de uma vez com a antiga
briga entre prefeitura e Light. O problema é que
o Poder Executivo não foi comunicado
da decisão nem sequer participou
da audiência. De acordo com o prefeito
Didácio Penna (PMDB), a nota enviada
para a imprensa foi mentirosa. “Colocaram
para manter em alta a moral da empresa,
que está sendo vendida. Não
recebemos nenhum comunicado”, afirma.
Segundo o secretário de Governo
de Rio Claro, Sérgio Saade, a notícia,
veiculada até mesmo no site do Globo
on line, não foi nem mesmo publicada
em Diário Oficial. “Procuramos
saber em todos os locais, até na
Câmara Cível e não
se tem notícia dessa decisão”,
afirma. O que a prefeitura conhece são
três processos movidos contra a multinacional.
Um deles é para o ressarcimento
do IPTU que não é pago ao
município. De acordo com Sérgio,
somente no imposto a dívida chega
a R$ 146 milhões. Desse valor total,
a Justiça já determinou a
penhora de R$ 20 milhões, porém
a Light ainda não apresentou os
bens para pagamento da obrigação.
Ele ainda disse que por isso a empresa
está transferindo todos os seus
imóveis para a holding de gestores
que foi criada após a privatização.
O segundo processo é para o pagamento
da taxa de iluminação. “Em
2004 a Light pagou R$ 1,3 milhão
ao município. Restam ainda R$ 2,2
milhões que estamos aguardando decisão
sair na semana que vem”, conta. Ele
ainda falou do terceiro processo, movido
no período de 2002 a 2005, no valor
de R$ 60 milhões, para protestar
os títulos da empresa. “A
Light entrou com uma liminar e estamos
aguardando sair a decisão que suspende
para entramos com outro processo pedindo
a falência da multinacional”,
destaca.
Além disso, existe o problema do
Imposto Territorial Rural (ITR). De acordo
com o secretário de Governo, a Light
tem que pagar um percentual de valor venal
de sua área. “A empresa recolhe
apenas a Taxa de Cadastro de ITR, ou seja,
somente R$ 30 por ano, sendo R$ 10 para
cada uma das três áreas que
têm em seu nome. Com isso, a Light
deixa de pagar os valores do imposto e
tenta enganar o governo federal e a Prefeitura
de Rio Claro, que acaba recebendo apenas
R$ 15 por ano, equivalente a 50% do ITR
que a União repassa para os municípios
de acordo com a lei. Eles estão
sonegando, dando calote”, acusa,
acrescentando que a partir deste ano os
municípios passam a receber 100%
do imposto recolhido no território,
ou seja, R$ 30.
Embora a prefeitura não tenha cálculos
de quanto a Light deveria pagar, sabe que
o valor vai além do que é pago.
Sérgio Saade informou que Rio Claro é um
dos maiores municípios em extensão
territorial do Estado do Rio de Janeiro
e 36% desse território pertence à Light
- 1.528,23 alqueires ou 7.396 hectares
- sem contar o espelho d’água.
Na opinião de Saade, a Light paga
apenas um valor simbólico e como
o governo federal não fiscaliza
a cidade está sendo prejudicada. “Precisamos
de socorro do governo, que está protegendo
uma empresa francesa e larga de lado um
município. Eles estão querendo
vender e levarão tudo que sugaram
do país sem pagar o que devem”,
finaliza.
|