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PONTO DE VISTA
O bem mais precioso

Não é mera retórica. A educação é o bem mais precioso que os pais podem dar a seus filhos. A Constituição Federal, inclusive, assegura que a educação é um direito de todos e um dever do Estado e da família.
O ensino fundamental é o mais importante na escala da educação básica, tanto que se constitui em prioridade constitucional para a educação. Prioridade esta que se materializou, a partir de 1996, com a criação do Fundo Nacional de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (Fundef), que tem vigência até o presente ano. Nesses 10 anos de Fundef, os recursos para o ensino fundamental público passaram a ser transferidos automaticamente para as redes de ensino estaduais e municipais, sem qualquer intermediação.
A verdade é que, apesar das críticas e da resistência de muitos prefeitos, o Fundef tem grandes méritos, sim, principalmente por democratizar os recursos para o ensino fundamental. Tanto que o Governo Federal, com a participação da sociedade brasileira, propôs ao Congresso Nacional sua ampliação, agora para o Fundeb, que abrangerá toda a educação básica, ou seja, o ensino infantil (creches e pré-escola), o ensino fundamental e o ensino médio, incluindo a educação indígena, a especial e a de jovens e adultos. O projeto já foi aprovado na Câmara dos Deputados, devendo ser também aprovado brevemente pelo Senado Federal.
Esse novo fundo de investimento na educação básica valerá por 14 anos. Ao final dos quatro primeiros anos, deverá atender 100% dos alunos da escola pú-blica matriculados na educação básica em todo o País. Serão aproximadamente 50 milhões de matrículas. Somados aos benefícios financeiros que serão concedidos aos profissionais da educação, o investimento chegará a mais de R$ 60 bilhões e nenhum Estado ou município receberá menos do que o valor mínimo por aluno, que será fixado anualmente.
O cálculo pode parecer chato e complicado. Mas, basta lembrar que milhares de mães não têm, hoje, como ou onde deixar seus filhos pequenos para trabalhar fora de casa. Ou, quando muito, o fazem com enorme sacrifício. Agora, com o Fundeb, finalmente terão creches e pré-escolas públicas como apoio necessário para bem educar suas crianças.
Alegra-me crer que, no máximo, daqui a 14 anos, quando o Fundeb encerrará seu prazo de vigência, um novo modelo de valorização do ensino surgirá em nos-so País; quem sabe, incluindo até a educação pública em nível superior para os que são mais necessitados. Aí, sim, teremos mais um motivo, e dos mais louváveis, para sentirmos orgulho de sermos brasileiros.

Marcelo Crivella
Senador