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GREVE DA EDUCAÇÃO
Contra os baixos salários
Centenas de pessoas acompanharam aula pública em ato na Praça da Matriz

BARRA MANSA - Com faixas, cartazes, carro de som e um enorme quadro negro, os professores da rede municipal trocaram, ontem, as salas de aula pela Praça da Matriz, no Centro, onde ministraram uma aula pública. Centenas de pessoas, profissionais da educação, funcionários administrativos, pais, alunos e populares acompanharam a aula que teve por objetivo chamar a atenção para a real situação da educação no município, sobretudo para as reivindicações da categoria, entre elas reposição salarial de 65% em relação às perdas acumuladas dos últimos dez anos sem reajuste.
Nas aulas simbólicas de Língua Portuguesa, Matemática e Biologia, os professores denunciaram as más condições de trabalho, a falta de infra-estrutura das unidades escolares, as perdas salariais da classe, os problemas de saúde que afetam à categoria, entre outros.
Durante a aula de Língua Portuguesa, em tom irônico, os professores fizeram a interpretação de uma declaração do prefeito concedida a um jornal semanal de Volta Redonda, datado de 25 de agosto de 2005. Na reportagem, o prefeito se dizia disposto a dialogar com a categoria e prometia estudar a possibilidade de reajustar o salário dos servidores tão logo fosse implantado o Fundamp (Fundo de Previdência dos Servidores Municipais). “Será que 7 meses não foi tempo suficiente para ele apresentar uma proposta para a categoria? Realmente o que ele fala não se escreve. Essa é a lição que nós tiramos. Onde está os R$ 900 mil que sobraram do pagamento de aposentados? Ninguém sabe, ninguém viu. Será que foi parar na televisão, nos ônibus e nos outdoors?”, questionou a professora da rede municipal e coordenadora regional do Sepe, Mariana Caetano, durante a “aula de Português”.
Durante as aulas de Matemática a categoria denunciou os excessivos gastos da prefeitura com publicidade, calculados em R$ 2 milhões, e em contrapartida os baixos salários da categoria, classificada pelos grevistas como os “mais baratos do Brasil”. Na explanação, um professor com uma calculadora em mãos informava à população que o dinheiro gasto com publicidade daria para equipar e informatizar as 63 escolas da rede. Cada uma poderia receber um investimento de R$ 32 mil.
Também criticaram as condições de trabalho e a péssima situação em que se encontram as escolas da rede. Reclamaram da falta de material de trabalho, como giz, apagador, a situação das salas de aula e escolas que funcionam em locais precários. “Passaram-se dois anos e meio e ainda não terminaram de construir a escola de Amparo. Ela funciona numa casa caindo aos pedaços. Cerca de 50 crianças estão estudando num galpão cedido e não há divisória na sala nem condições de se trabalhar. E ainda dizem para nos adaptarmos. Já faço isso há 27 anos”, queixou-se uma professora de língua inglesa.
A mobilização, parte do calendário de atividades da greve da educação, aconteceu durante a manhã e parte da tarde de ontem. Pela manhã, a aula pública terminou mais cedo, em função da notícia de que o prefeito estaria participando de uma reunião na Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente.
Os professores seguiram em passeata até o local, na tentativa de pressionar o chefe do Executivo a marcar uma audiência.
Segundo um dos diretores do Sepe, Paulo César de Souza, o secretário de Educação, José Amaral, lhe disse que o prefeito receberá a comissão de negociação dos profissionais de educação sexta-feira, às 15 horas, no Centro Administrativo. “Exigimos por escrito que o secretario se comprometesse e ele escreveu de próprio punho um comunicado sobre essa reunião. Na saída, o prefeito me cumprimentou e eu disse que estaria melhor se ele desta vez recebesse a categoria”, detalhou o sindicalista.

Greve continua com força total

Em assembléia realizada na tarde de ontem na Câmara Municipal, os profissionais da educação aprovaram por unanimidade a manutenção da greve, a continuidade dos trabalhos de convencimento com a categoria e conscientização da comunidade. Ficou acertado que haverá nova assembléia sexta-feira, independente da audiência marcada com o prefeito. Também foi definida uma comissão de profissionais da rede que representarão a categoria na audiência com o prefeito. São profissionais da área administrativa, representantes do Sepe, dos aposentados, professores do Ensino Fundamental, Médio, Educação Infantil e Especial.
Segundo o calendário de atividades aprovado para esta semana, hoje os profissionais da educação e funcionários administrativos dos três turnos farão concentração na porta das escolas para informar os pais sobre a mobilização e convidá-los a participarem do movimento sexta-feira. Os horários das atividades serão: 7, 13 e 19 horas. Em seguida, será feito um trabalho de convencimento com os profissionais das escolas de 1ª a 4ª série, já que a adesão, segundo o sindicato, foi de apenas 30%, contra os 90% das profissionais de 5ª a 8ª. Amanhã, haverá concentração antes das 7 horas, na garagem da Susesp, no bairro Boa Sorte, para uma atividade voltada para a conscientização nas escolas. Na parte da tarde, está programada concentração dos profissionais em frente às escolas, seguida de caminha de convencimento pelas unidades escolares.
Sexta-feira, antes das 7 horas, os profissionais da educação farão concentração em frente ao Saae, no Ano Bom. Às 9 horas, professores e funcionários administrativos se concentram na Praça da Matriz, de onde partem em passeata rumo à prefeitura.
À s 13 horas, a comissão de negociação eleita em assembléia se reúne para definir a forma como as reivindicações serão apresentadas durante a negociação com o prefeito. A partir das 14 horas, todos os profissionais da rede foram convocados a comparecer no Centro Administrativo para apoiar o movimento.
Em relação ao Fundamp, ficou acertado durante a assembléia que na próxima reunião da categoria os profissionais que se inscreveram a uma vaga no Conselho Deliberativo do Fundo terão a oportunidade de apresentar à categoria suas propostas.