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André Trigueiro: “O
lixo não é um problema, é solução”
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Jornalista
da Globo News lança livro na Cidade
do Aço
VOLTA REDONDA -
O que, a princípio, seria uma entrevista
coletiva, tornou-se, no final da manhã de
ontem, praticamente uma palestra ou quase
um bate-papo entre representantes da imprensa
local e o jornalista, escritor e professor
André Trigueiro, apresentador de
um programa sobre meio ambiente exibido
pela TV a cabo Globo News. Ele também é comentarista
da Rádio CBN e autor de vários
artigos publicados no jornal O Globo e
diversas revistas, além de professor
e criador da cadeira de Jornalismo Ambiental
da Pontifícia Universidade Católica
do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Já ganhou
vários prêmios com as reportagens
e artigos que escreveu sobre meio ambiente.
André Trigueiro lançou ontem, à noite,
no auditório da Universidade Federal
Fluminense (UFF), na Vila, seu segundo
livro, intitulado Mundo Sustentável
- Abrindo espaço na mídia
para um planeta em transformação,
pela Editora Globo. Sua primeira obra foi
um grande painel chamado Meio Ambiente
no Século XXI. “Não
basta denunciar o que está errado. É preciso
sinalizar rumo e perspectiva, dar visibilidade às
soluções sustentáveis
que fertilizam o campo das idéias
para a semeadura de um novo tempo, de um
novo projeto de civilização.
E a mídia pode oferecer uma enorme
contribuição para essa empreitada.
Mas não sou um especialista. O jornalista é apenas
um contador de história. Lutamos
por uma mídia que não aborde
o meio ambiente somente em situações
trágicas, de catástrofes.
A mídia pode muito, mas não
pode tudo. Podemos muito, mas não
podemos tudo”, afirma o jornalista
e escritor.
A OBRA
A segunda obra de André Trigueiro
reúne uma seleção
de artigos, entrevistas e comentários
dele próprio que expressam a urgência
da mudança e o que vem sendo feito
nesse sentido. Alguns dos principais temas
da atualidade - aquecimento global, água,
biodiversidade, consumo irracional dos
recursos naturais, lixo, energia, meio
ambiente nas cidades - são destacados
e comentados por especialistas convidados
pelo autor para comentar os assuntos abordados
na obra. “O meu livro é a
visão de um jornalista, mas comentado
por especialistas”.
Com prefácio do também jornalista
Washington Novaes, o livro aponta soluções
criativas e sustentáveis que renovam
as esperanças daqueles que acreditam
que um novo mundo não é apenas
possível, mas absolutamente necessário.
Entre os exemplos de iniciativas sustentáveis,
o autor cita a fábrica de tijolos
ecológicos de Volta Redonda, que
utiliza pneus velhos. “O jornalista
não é tolerável com
a corrupção, com a escravidão.
Ele ouve o outro lado, mas não tolera.
Na minha visão, o que não é sustentável
não é tolerável”,
ressalta Trigueiro.
“
Discute-se o que é preciso fazer
para não exaurir o que temos”,
prossegue ele. “Temos um tesouro
que não sabemos usar. Não
aprendemos ainda a extrair riquezas da
Amazônia de forma sustentável.
O que sabemos é destruir floresta
parta plantar capim e depois tentar manter
o solo fértil utilizando fertilizantes
químicos. Não há sustentabilidade
onde existe miséria e pobreza. Não
sabemos o que será de nós.
Qual será o nosso futuro. Há uma
neblina com relação ao futuro
que não nos deixa enxergar nada”,
alerta.
Na coletiva, Trigueiro citou o exemplo
da água da chuva jogada fora pelas
calhas, ao invés de ser aproveitada
com a construção de cisternas
nos imóveis. “A água
da chuva vale ouro. Se você a otimiza
ela terá muitas utilidades, como
lavar o chão, regar as plantas,
entre outras utilidades. É como
o lixo, ele não é problema, é solução,
mas as prefeituras preferem enterrá-lo
do que reciclá-lo”, critica
o autor, ressaltando que “o analfabetismo
ambiental é um problema grave”.
Ele citou como exemplo o fato de as pessoas
jogarem no lixo as sacolas plásticas
usadas para transportar compras. “Estamos
indo para o vinagre com o aquecimento global.
Tudo de ruim já está acontecendo.
Os furacões estão aí.
Até no Brasil já chegou”,
alertou ele, citando o Catarina.
DOAÇÃO
O autor destinou os direitos autorais
do livro ao Centro de Valorização
da Vida (CVV). “O trabalho que o
CVV realiza é árduo e precisa
de ajuda financeira. O serviço que
ele presta é de utilidade pública.
Por isso afianço publicamente, como
jornalista, que é uma instituição
séria e as pessoas podem ajudar
comprando o livro”, apelou Trigueiro.
Quem quiser adquirir o livro deve comparecer à sede
do CVV, situada na Rua 40, nº 13,
Vila Santa Cecília, ao lado da sede
da Cruz Vermelha Brasileira. O exemplar
custa R$ 38. Maiores informações
pelo telefone 3343-7666.
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