| PARQUE
NACIONAL
Audiência pública na Alerj
Associação de Amigos fez pedido
a Carlos Minc para realização
do evento
ITATIAIA - O programa de regularização
fundiária anunciado pelo Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis (Ibama) dentro
do Parque Nacional está mexendo
com o ânimo de muitas pessoas, principalmente
dos cinco proprietários de hotéis
e cerca de 170 residências do local.
A Associação dos Amigos de
Itatiaia comunicou que haverá uma
audiência pública no dia 24
de abril, na Assembléia Legislativa
do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), para
discutir o assunto. Estarão presentes
deputados, alguns senadores, representantes
de ministérios e do Ibama, além
de membros da associação.
De acordo com o advogado e procurador da
associação, Leonardo Rodrigues
de Britto, a audiência foi organizada
pelo deputado Carlos Minc (PT), a pedido
da entidade, e contará com cerca
de 60 representantes de Itatiaia. “Não
acho que essa desapropriação
vá acontecer, mas de qualquer forma
vamos lutar, se for preciso até judicialmente,
para ficarmos com o que é nosso”,
diz Leonardo que é proprietário
de dois hotéis na área que
pode ser desapropriada.
De acordo com ele, os hotéis em
questão empregam cerca de 200 funcionários. “Acho
que ele (o Ibama) está com um problema
que não é ecológico
e sim comercial. Se fosse mesmo preocupação
com o meio ambiente desapropriariam lá para
cima do parque que está abandonado,
tem até pessoas morando ilegalmente”,
afirma. E isso não é um problema
dos donos de hotéis e residências.
Segundo Leonardo Rodrigues, todos os moradores
têm título de proprietários
das terras, já que as construções
aconteceram em 1909, antes da criação
do Parque Nacional do Itatiaia (PNI), em
1937.
Não se sabe ainda quando o Ibama
pretende realizar a desapropriação,
já que não houve um comunicado
oficial e sim uma conversa de que isso
poderia acontecer antes das comemorações
dos 70 anos do parque, em julho de 2007.
A Associação dos Amigos de
Itatiaia se reuniu no último sábado
com representantes do Ibama na cidade e
até do país, mas, de acordo
com a constatação de Leonardo
Rodrigues, não chegaram a conclusão
alguma. “Eles confirmaram a intenção,
mas não disseram quando aconteceria.
O Ibama sabe que a terra nos pertence,
já checaram”, conta.
A justificativa para tal ação
do instituto se deve a uma lei criada em
2000 que não permite propriedade
privada dentro dos parques nacionais. “Já temos
também uma solução
para isso. Vamos tentar transformar o pedaço
do parque em que estão localizados
os hotéis e residências em Área
de Proteção Ambiental (APA)”,
anuncia. O pedaço referido por Leonardo
Rodrigues seria do Hotel Conora até Maromba.
Depois seria Parque Nacional do Itatiaia,
que é a parte alta.
VERSÃO DO IBAMA
A Assessoria de Comunicação
do Ibama no Rio de Janeiro foi procurada
e afirmou que existe em Brasília
um estudo realizado pela Comissão
de Regularização Fundiária.
Não soube informar, porém,
quando esse estudo estará concluído.
Informou também que devido à lei
de 2000 os proprietários teriam
que se adequar ao sistema e ainda revelou
que as terras em questão são
da União, mesmo os proprietários
se instalando antes da criação
do parque. O diretor do PNI, Walter Behr,
foi também procurado, mas até o
fechamento desta edição
não entrou em contato com a equipe
de reportagem de A VOZ DA CIDADE.
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