| EDUCAÇÃO
A greve continua
Profissionais intensificam
movimento com atividades de conscientização à comunidade
escolar
BARRA MANSA - Cerca de 150 profissionais
da educação, entre professores
e funcionários administrativos,
decidiram, na tarde de ontem, em assembléia
geral, pela manutenção da
greve. A decisão foi tomada depois
da audiência entre a comissão
de profissionais e o prefeito, no Centro
Administrativo, conforme o secretário
de Educação havia prometido à categoria.
Na pauta da reunião foram discutidas
a reposição das perdas salariais
da categoria, acumuladas em 65%, referentes
aos últimos dez anos sem reajuste;
a situação do Fundamp (Fundo
de Previdência) e a reposição
das aulas perdidas em função
das paralisações.
A impressão deixada aos profissionais
não foi das melhores. Segundo eles,
depois de dois meses de espera e uma semana
em greve muito se discutiu, prazos foram
dados, justificativas apresentadas, porém,
de concreto nada foi definido. Ao contrário,
dirigentes sindicais afirmaram que o prefeito
minimizou o movimento, contra-argumentando
que apenas 6% da categoria, que soma hoje
cerca de mil professores, aderiram à greve.
De acordo com o Sepe (Sindicato Estadual
dos Profissionais de Ensino), a alegação
não procede, uma vez que nas atividades
do movimento a adesão tem sido,
em média, de 70%.
Quanto à questão salarial,
o prefeito fez questão de frisar
que daria reajuste à classe, porém,
um índice inferior aos 17% do salário
mínimo, corrigido pelo governo federal.
Em relação aos 65% de reposição
salarial, pedidos pela categoria, Roosevelt
disse que a prefeitura vem fazendo um levantamento
dos custos do governo para avaliar o impacto
do reajuste sobre a folha de pagamento
e que o estudo será concluído
em abril.
Os profissionais da educação,
entretanto, criticam o governo pela demora
no levantamento, alegando que há seis
anos ele vem sendo feito e até o
momento está incompleto. O prefeito
disse que não poderia conceder a
reposição salarial em função
da Lei de Responsabilidade Fiscal e que
recebeu em março do ano passado
um documento do Tribunal de Contas limitando
os gastos do governo. “Nós
questionamos ao prefeito a respeito da
redução dos cargos comissionados
e do secretariado, porque isso também
faz parte da Lei de Responsabilidade Fiscal.
O prazo para o levantamento já foi
dado. Não podemos mais esperar até abril.
Já se passaram seis anos”,
afirmou Mariana Caetano, coordenadora regional
do Sepe e professora da rede, acrescentando
que o prefeito garantiu que os professores
receberão em abril o contracheque
com seus vencimentos reajustados.
Segundo o sindicato, sobre a atual situação
do Fundamp, classificada pelos profissionais
como precária, o prefeito afirmou
que não há possibilidades
de contribuir com o fundo, justificando
que já contribui com 25% e que há dois
meses a arrecadação dele
está crescendo. Além disso,
afirmou que estão a caminho melhorias
no atendimento médico do e que uma
reunião com o diretor do Fundo,
José Márcio, será agendada
para os próximos dias.
Os profissionais rebateram, dizendo que além de ser obrigados a pagar
11% ao Fundamp a terceirização dos serviços virá prejudicar
ainda mais a categoria, que vai gastar mais para ter acesso à saúde
pública, uma vez que nem todos os serviços são cobertos
pelo plano e dependentes dos funcionários são obrigados a pagar
pelos serviços como planos particulares.
Outra questão tratada na audiência com o prefeito foi a reposição
de aulas na rede, referentes às paralisações, no total
três parciais e seis integrais. “O prefeito é culpado pela
nossa greve. Ele diz que acredita na educação da cidade, mas
não investe nela. Os filhos dele estudam em escola particular”,
critica Mariana Caetano. “Ele disse que iria descontar os dias paralisados
e que se fosse preciso iria contratar novos profissionais para repor as aulas
perdidas. Se tem dinheiro para contratar novos profissionais, tem para reajustar
o nosso salário. Eu desafio essas pessoas a dar aulas, a limpar as escolas
e fazer tudo o que nos fazemos com o mesmo salário”, disparou.
MANIFESTAÇÃO
Após a assembléia, num protesto
contra o prefeito que alegou o movimento
ser inexpressivo, os profissionais de ensino
saíram em caminhada pela Rua Luis
Ponce e pelo viaduto em frente à Prefeitura,
sentido Centro-Colônia e Saudade,
para esclarecer os motivos da greve à população. “A
audiência não adiantou nada,
porque o prefeito não cedeu e ainda
vai cortar o ponto do pessoal que parou.
Mas a categoria ficou mais unida com a
rejeição dele e agora vamos
definir outras estratégias”,
afirmou um dos diretores do Sepe, Paulo
César de Souza.
CALENDÁRIO DA MOBILIZAÇÃO
Em assembléia, a categoria decidiu
pela manutenção das atividades
da greve como concentrações
nas escolas, caminhadas de convencimento
aos demais profissionais da educação
e servidores municipais. “Esta foi
uma conquista. Se o movimento cresce, se
nós juntarmos com o funcionalismo,
vamos pressionar o governo e o prefeito
vai ser obrigado a concluir o estudo sobre
a possibilidade de reajuste o mais rápido
possível”, enfatiza Mariana
Caetano, informando que foram definidas
na assembléia atividades para as
próximas segunda e terça-feiras.
Na segunda, a categoria retorna com as
concentrações nas escolas,
antes das 7 horas, para informar aos pais
sobre a continuidade do movimento e em
seguida se reúne na Praça
da Matriz para dar seqüência às
atividades. Os horários serão:
8, 14 e 20 horas.
Terça-feira, também haverá concentrações
na praça, em três horários:
7, 13 e 19 horas. Quarta-feira, a categoria
decide os rumos da greve às 13h30min,
na Praça da Matriz, em uma nova
assembléia.
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