Dança
da imoralidade
Há uma ditadura implantada no Brasil
em plena luz do dia. É a ditadura
da mentira, da traição, da
desfaçatez, do medo, da hipocrisia,
da falta da vergonha, da corrupção,
da amoralidade, da promiscuidade entre
os poderes e os poderosos, entre os mentirosos,
entre os iguais. Já vem de muito
que alguns poucos pilharam a Nação,
aparelharam o Estado para locupletar a
ganância dos eternos vampiros da
Pátria. A cada dia que passa eles
perdem mais a vergonha e o medo da luz
e agora vivem, voam e dançam em
todo céu pátrio em plena
luz do dia. É uma conspiração
dos embriagados pelo poder, pelas camas
estendidas à sombra e à sobra
do Congresso, dos que podem alguma coisa
neste reino de cegos e de nem um rei. E
nós assistimos a tudo calados, a
este grande filme de terror em que somos
reles espectadores.
Agora, depois de julgados e condenados
pelo Conselho de ÉTICA, os deputados
mensaleiros; sacoleiros de votos, rufiões
dos sonhos, proxenetas de partidos, são
absolvidos pelos seus pares, pelos que
referendam o atraso moral, político,
institucional e constitucional neste Brasil
de 506 anos de atraso, e de atrasados.
Depois, para completar a orgia por eles
encenada, patrocinada, avalizada; assistimos
a dança da incorporação
da amoralidade dentro de cada um, a dança
dos farrapos morais, das tetas fartas do
Congresso em que mamam os medíocres,
os menores, os que fazem tudo aquilo que
sempre condenaram. É a cusparada
dos piratas de gravatas na cara de cada
um de nós, dos pais de família,
daqueles que vivem do suor do seu trabalho,
dos que acreditam em uma palavra que eles
só conhecem no dicionário:
dignidade.
Meu Deus, o governo Lula transformou o
país em um valhacouto de gigolôs
da Pátria, de párias, de
homens que são capazes de uma perseguição
implacável a um modesto caseiro
só por ele ter dito a verdade. Depois
de tentar calar a imprensa e amordaçar
a Justiça, querem, a todo custo,
calar o mais modesto trabalhador. Eles
aprenderam tudo isso durante a ditadura
militar e agora querem fazer o mesmo com
os que estão do outro lado da linha
do tempo, do outro lado da história,
ao lado da verdade.
Derrotada a esperança, sobre seu
túmulo samba agora a porta-bandeira
de outrora, a musa que se tornou a mais
mesquinha entre todos na Câmara dos
Deputados, divisada entre mensalões
e mensalinhos, entre dragões e anãozinhos.
Não merecíamos isso presidente
Lula, não merecíamos isso
Partido dos Trabalhadores... e nós
que acreditamos tanto em vocês!
Petrônio Souza Gonçalves
Jornalista e escritor
belooriente@cidademais.com.br
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