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ELEIÇÃO SINDICAL
Está chegando a hora
Candidato da Chapa 2 se reúne com a imprensa para falar sobre o pleito

VOLTA REDONDA - Falta pouco para a eleição no Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense e as brigas continuam. Desta vez, dois candidatos, Carlos Henrique Perrut, Chapa 1, atual presidente, e Luiz de Oliveira Rodrigues, o Luizinho, Chapa 2, concorrem. A exemplo de qualquer confronto direto, o pleito sindical está causando discórdia entre os candidatos. De um lado, Perrut usa de suas armas para se fortalecer na disputa. De outro, Luizinho se prepara para vencer. Com isso, a disputa ganha cada vez mais força. Ontem, à tarde, Luizinho se reuniu com a imprensa no auditório do Hotel Dexter, no Aterrado, para falar sobre a eleição.
Luizinho enumerou irregularidades que segundo ele estão ocorrendo. De acordo com o estatuto do Sindicato dos Metalúrgicos, a eleição para a escolha do presidente é um ato privado, diz. Mesmo assim, de acordo com ele, a comissão eleitoral tem, simplesmente, como presidente Laércio Inocêncio, dirigente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT). De São Bernardo do Campo, Laércio não está conseguindo acompanhar as reuniões de discussões com as duas chapas. Isso, para o candidato da Chapa 2, é lamentável, já que se trata de um ato democrático.
O candidato da Chapa 2 falou ainda sobre outras irregularidades que estão o preocupando. Lembrou que a escolha do mesário, que deveria ter acontecido, ainda não foi feita. Disse que há poucos dias da eleição o sindicato não conseguiu ainda indicar quem vai ser o apurador dos votos, onde será o local da apuração e qual o local onde as urnas serão guardadas após a votação. “Tudo isso está nos preocupando”, criticou Luizinho, lembrando que outro fator bastante intrigante é o fato de o sindicato não estar brigando com a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) por ela estar batendo o pé para não aceitar mesários de fora da usina, sendo que isso está de acordo com o estatuto da entidade.
“ Não cabe à CSN escolher se vai ser ou não mesário de fora, já que o estatuto do sindicato diz o contrário”, disparou, completando que “cheira mal a intransigência da CSN no caso e aceitação pacífica do sindicato”. Outros fatores também têm preocupado o candidato Luizinho e sua comissão. Para ele, só o fato de o sindicato determinar que a mesa deverá ter somente um representante da Chapa 2 durante a votação, enquanto a Chapa 1 vai ter dois, é preocupante. “Por que também não decidem pela eleição de fora da Usina Presidente Vargas, na Praça Juarez Antunes, na Vila Santa Cecília, já que o estatuto permite? Assim, não haverá dúvidas na lisura da eleição”, falou.
Criticou também a idéia da chapa adversária querer que a cédula tenha o timbre da CUT e o fato de Jadir Baptista, candidato a vice-presidente na Chapa 1, ter acesso direto na CSN para fazer campanha, enquanto ele (Luizinho), que é funcionário demitido, reintegrado, ser proibido de entrar no local. Luizinho informou que todos esses fatos serão discutidos segunda-feira e podem ser levados à Justiça

PESQUISA

Durante o encontro de ontem com a imprensa, Luizinho divulgou uma pesquisa feita por uma empresa do Rio de Janeiro, Informe sobre a eleição do Sindicato dos Metalúrgicos. De acordo com o resultado da sondagem, feita entre os dias 15 e 16 deste mês, com 664 metalúrgicos, Luizinho está na frente com 267 votos, ou seja, 41% das intenções dos votos. Carlos Perrut está com 128, 19% das intenções. Na pesquisa foi incluído o nome de Renato Ramos, que ficou com 3% da preferência dos votantes. Para ele, foram 19 votos. Os indecisos somaram 122 trabalhadores, o que significa 18%. Os votos nulos foram três, obtendo 5% do total. Os que não quiseram responder à pesquisa foram 96, ou seja, 14%.

ATO PÚBLICO

A Força Sindical faz hoje, às 15 horas, um ato público de apoio à Chapa 2. O evento, que contará com a presença do presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, será para defender o reajuste salarial para os aposentados que ganham acima de um salário mínimo.

Perrut contesta candidato da oposição

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos e candidato à reeleição pela Chapa 1 (CUT), Carlos Henrique Perrut, rebateu alguns pontos das declarações de Luizinho. O primeiro item contestado por Perrut é o que diz respeito à divulgação da listagem dos metalúrgicos aptos a votar nos próximos dias 6 e 7 de abril. Segundo Perrut, de acordo com o estatuto do sindicato a listagem dos votantes tem que ser mostrada à chapa de oposição cinco dias antes do pleito, ou seja, amanhã. “Mas vamos fazer mais ainda. Ao invés de apenas mostrar a listagem para o Luizinho, vamos fornecer uma cópia com os nomes de todos que poderão votar”, garante o líder sindical, frisando que o pleito está transcorrendo com toda a transparência possível.
Outro item contestado por Perrut é o que diz respeito à indicação do presidente das eleições. Segundo ele, pelo estatuto da entidade compete ao presidente do sindicato presidir o pleito ou indicar outra pessoa.
Com relação à indicação do primeiro e segundo mesários - outro ponto das eleições questionado pelo candidato da chapa de oposição - Perrut explicou que o mesmo estatuto também outorga esse poder ao presidente do sindicato. “O estatuto também me permite isso, indicá-los. Mas também vou abrir mão para que a outra chapa indique um mesário. Além disso, cada chapa terá seu fiscal, como também exige o estatuto”, pondera o sindicalista.
Outra questão abordada pelo candidato da Chapa 2 e que foi esclarecida pelo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos é com relação à decisão da direção da CSN de proibir a indicação de pessoas que não trabalham na empresa para serem mesárias nos locais de votação existentes no interior da Usina Presidente Vargas. “Mandamos um ofício para a empresa permitindo que as Chapas 1 e 2 indiquem apenas mesários que sejam empregados da própria CSN. Mas a empresa pode proibir porque é prerrogativa dela. A propriedade é dela. A CSN fez a mesma coisa em 1998 e em outras eleições”, lembra Perrut.
Outra mudança reivindicada pelo candidato da Força Sindical é a transferência das urnas de dentro da CSN para outros locais fora da Usina. “Ele quer que as urnas fiquem do lado de fora da CSN, mas isso não compete a ele e sim à Comissão Eleitoral, que tem poder para fazer isso”, ressalta o candidato da Chapa 1. Ao concluir o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos criticou o candidato da chapa de oposição pelas declarações à imprensa. “Ele (Luizinho) quer criar um factóide para depois ir para a imprensa reclamar da gente e nos criticar”, desabafa Perrut.