| REAPRESENTAÇÃO
O Beijo no Asfalto no UBM
Através de pedido do Cacos (Centro
Acadêmico de Comunicação
Social) do Centro Universitário
de Barra Mansa (UBM), o grupo obsCênicos
estará reapresentando, hoje, a leitura
dramatizada de O Beijo no Asfalto, de Nelson
Rodrigues, no fechamento do Seminário
de Comunicação que está sendo
realizado na instituição.
A peça trata com um certo tom de
morbidez, moralismo e transgressão
da discussão e crítica sobre
o poder e a falta de ética da imprensa
e da polícia.
Para o diretor Symão Francisco,
que já apresentou essa peça
no Rio de Janeiro e outros grandes centros,
a encenação é na verdade
uma leitura dramatizada. “Usaremos
marcações, luz, som e vários
outros artifícios utilizados no
teatro para interpretar esse que é um
grande sucesso de Nelson Rodrigues”.
O texto foi escolhido, segundo Symão,
pela complexidade e grandiosidade das obras
do autor. Ele ainda diz que todo ator tem
e deve trabalhar um texto de Nelson Rodrigues,
porque ele é um dos maiores dramaturgos
brasileiros. “Ele (Nelson) é surpreendente,
em suas obras têm de tudo um pouco”,
elogia.
Uma parte do texto traz um diálogo
sobre a venda de jornais, que é uma
das maiores preocupações
de alguns órgãos de imprensa
escrita. “Hoje, tenho uma manchete
do tamanho de um bonde. O Beijo no Asfalto
foi crime! Crime!... , ... a pederastia
faz vender jornal a burro. Hoje, estamos
rodando 300 mil exemplares. Crime é batata!”.
No elenco estão Nathália
Dias Gomes, Danilo Nardelli, David Cunha,
Camila Fraga, Lucas Fagundes, Thiago Delleprani,
Suzana Conti, Melissa Santana, Leo José,
Tiago Rezeck e Binho Soares, com a direção
de Symão Francisco.
O
Beijo no Asfalto foi escrito
em 1960. É a décima
terceira peça de Nelson,
que a escreveu em 21 dias,
depois de um ano inteiro
de insistência de Fernanda
Montenegro, que fazia parte
do grupo Teatro dos Sete,
juntamente com Ítalo
Rossi. Estreada em 7 de julho
de 1961, no Teatro Ginástico,
marca também a estréia
de Fernando Torres na direção.
A inspiração da peça nasceu quando Nelson leu uma reportagem
no saudoso jornal Última Hora. A matéria contava que um indivíduo
desequilibrou-se, caiu e uma lotação passou por cima. Antes de
morrer, a pessoa ainda teve forças para pedir um beijo a um transeunte
que tentou socorrê-lo, no caso uma moça.
Para muitos o fato seria uma cena comum no dia-a-dia das grandes metrópoles,
mas a cabeça e o cérebro do genial escritor que a transformou em
uma Tragédia Carioca.
Com a criação da história Nelson traz tons de morbidez,
moralismo e transgressão, estabelecendo uma discussão crítica
a respeito do poder da imprensa e da polícia.
A peça também não deixa de citar o apoio da opinião
pública quando se trata de esmagar um indivíduo até sua
mais completa aniquilação. Caso do papel principal de O Beijo no
Asfalto, Arandir, que inicia uma solitária batalha contra o mundo perverso
que o sacrifica, tentando se defender das acusações e das calúnias
que o cercam.
Perturbado, confuso e desesperado, ele não tem mais certezas e quase passa
a duvidar de si mesmo. Um gesto de solidariedade e piedade transformado em escândalo
trágico.
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