SANATÓRIO
GERAL
Como se sabe, estamos em ano de eleições
gerais. O fato é que, após
as pesquisas realizadas antes do carnaval,
ficou claro que Fernando Henrique Cardoso
está provando do seu próprio
veneno, pois, esperteza e malícia
nunca faltaram ao lendário torneiro
mecânico de ascensão fulminante.
Lula encontrou a porta aberta e por ela
entrou. Aprendeu bem a lição
orientado por seu antecessor lançando-se à campanha
da reeleição com o disfarce
transparente de negar sempre. Não
se sabe nada sobre seu filho com a Telemar
ou das andanças por Brasília
de seu irmão Vavá. Usa e
abusa da máquina governamental sem
qualquer cerimônia viajando no seu
milionário avião.
Teremos que suportar a tentativa de reeleição
por mais uma vez com a mesma tolerância
com que assistimos às variadas denúncias
entre Lula e FHC, PT contra tucanos e pefelistas
e vice-versa. Tudo no gramado seco da hipocrisia.
Todos cobertos de razões e com os
fundilhos rasgados pela contradição.
Infelizmente, o Poder Judiciário
está sob a vexaminosa rebelião
dos tribunais estaduais em face da extirpação
do nepotismo. Juízes e Desembargadores
não conseguem aceitar as exonerações
de seus familiares impostas pelo Conselho
Nacional de Justiça-CNJ. O ano de
2006, depois do carnaval, começará com
o Congresso em débito com a sociedade,
quando será submetido à renovação
de um terço de Senadores e de toda
a composição da Câmara
de Deputados. A verdade é que, se
fossemos pertencentes a um país
de memória, por certo, aqueles 300
parlamentares que elegeram Severino Cavalcanti
jamais voltariam àquela Casa Legislativa.
Mas, sabemos que não é o
que acontece no Brasil.
Com as cinzas do carnaval que serão
deixadas e que se tornarão matérias
inorgânicas que não servem
para reproduzir nada, também devemos
juntar a elas esses políticos que
desde janeiro do ano passado viraram cinzas
na confiança do eleitorado brasileiro,
pois, igualmente, todos deveriam ser sepultados
porque não servirão para
mais nada.
Na situação de descrédito
que está a nossa classe política,
que vem participando de folias há tempos,
não será novidade que durante
a campanha eleitoral apareça alguém
sugerindo que para os próximos mandatos
de Senadores e Deputados Federais sejam
construídos no Congresso Nacional
um anexo hospitalar com uma variedade de
médicos da área psicopática
e uma DP com aquele aparelho que detecta
mentiras a fim de que o eleitorado saiba,
na verdade, em quem votou. Senão,
na próxima legislatura teremos apenas
um aumento considerável daquelas
matérias inorgânicas que não
servem para reproduzir nada.
Célio Junger Vidaurre é advogado
Celiovidaurre@yahoo.com.br
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