Voltar   Cris Oliveira

Greve de litógrafos da CBL completa oito dias

BARRA MANSA - Os trabalhadores da Companhia Brasileira de Latas (CBL), antiga Matarazzo, estão de braços cruzados desde o dia 27. Os 197 litógrafos se revezaram num acampamento improvisado no terreno em frente à fábrica, que fica no bairro Santa Clara, para aguardar uma posição da direção sobre o acordo salarial.
Na última semana, a comissão de negociações do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Gráficas se reuniu com a direção da empresa em audiências no Tribunal Regional do Trabalho, no Rio e no Ministério do Trabalho e não houve acordo entre as partes. Segundo o sindicato, a proposta da empresa limitou-se a reajustar o salário dos funcionários com base, somente, no INPC, calculado em torno de 4,63%. Os trabalhadores recusaram o índice e decidiram entrar em greve por tempo indeterminado, enquanto a empresa não melhore a proposta.
A categoria reivindica reajuste de pelo menos 8% (ganho real de 4%, mais INPC), fornecimento de cesta-básica para todos os trabalhadores no valor de R$ 79, revisão do Plano de Cargos e Salários e aumento da PLR (Participação nos Lucros de Resultados) de R$ 72 para R$ 1 mil.
O vice-presidente do sindicato, Manoel Norato, afirma que em todas as negociações anteriores a direção da CBL não chegou a um valor favorável para os trabalhadores, sobretudo no que diz respeito ao fornecimento da cesta básica e ao aumento da PLR. Ele disse que ontem, em conversa com a administração da empresa, foi proposto reajuste de 5%, PLR no valor de R$ 500 e aumento de R$ 10 no tíquete-alimentação, que hoje é de R$ 35,50. A empresa também ofereceu aumento na remuneração das horas extras. As duas horas iniciais de sábado até as 6 horas de domingo, que eram de 50% do salário, passaram para 100%. “Isso foi um ganho para os trabalhadores, mas o problema está no valor da cesta básica, que há dez anos não é reajustado e o da PLR, que é muito baixo. Pelo que a empresa alegou de perda com os dias parados, cerca de R$ 700 mil por dia, não é possível o trabalhador ganhar PLR em duas parcelas de R$ 36”, enfatizou o sindicalista, acrescentando que os trabalhadores vão decidir hoje, às 8 horas, em frente à empresa, em assembléia, se continuam ou não em greve.
A paralisação teve adesão de 100% dos funcionários, que revoltados com a negativa da empresa nas negociações decidiram parar as atividades. “Estamos há mais de três anos só tendo perdas. Por isso, decidimos fazer uma greve pacífica. Os funcionários não foram impedidos de trabalharem; houve carga e descarga de produtos normalmente, mas a linha de produção não funcionou”, explica o litógrafo Eli Aparecido, 44 anos, funcionário da empresa há 14.
Outro empregado da fábrica, Clézio Rodrigues, 22 anos dedicados à fábrica, afirma que desde 1988 não acontecia uma greve como essa. “Não teve jeito. Há muitos anos recebemos o mesmo valor da cesta básica, sem contar o plano de cargos e salários. Há mudança no cargo, mas o salário continua o mesmo”, reclama.
O piso inicial de um litógrafo é de R$ 511. O funcionário com nível 1 recebe, em média, R$ 1.100, o de nível 2 ganha R$ 1.720 e o último nível, a remuneração é de R$ 2.700.