Voltar   Valdinei Ferreira / PMR
SILVIO DE CARVALHO anuncia que retirará da pauta do Legislativo o projeto de Concessão da Resende Águas

CONCESSÃO DA RESENDE ÁGUAS
Projeto é retirado de pauta
Silvio de Carvalho divide responsabilidade da concessão de autarquia com ex-prefeito e ex-presidente da Esamur

RESENDE - O prefeito Silvio de Carvalho (PMDB) anunciou, ontem, que retirará da pauta do Legislativo o projeto de Concessão da Resende Águas. A notícia foi dada durante um debate numa rádio local sobre o projeto que trata da concessão. Segundo o prefeito, a decisão busca ampliar o debate em torno do tema, permitindo a toda a sociedade discuti-lo com profundidade. “Só peço que definamos rapidamente um cronograma para a discussão, pois a situação da empresa chegou em nível tal de gravidade que precisamos decidir alternativas, de forma rápida, para evitar que a empresa entre em colapso num curto espaço de tempo. Hoje não temos como gerir o sistema de abastecimento com eficiência por absoluta falta de capacidade de investimento”, frisou Silvio de Carvalho, referindo-se ao prazo de 30 dias.
Além do prefeito, participaram do debate o presidente da Resende Águas, Ivan Geraidine, o presidente do Partido dos Trabalhadores, João Alberto Stagi, e o presidente da Associação dos Funcionários da Resende Águas, Marco Antônio Soares. O ex-prefeito Noel de Oliveira chegou a entrar no estúdio para participar do encontro, mas como pretendia apenas fazer uma explanação na abertura do programa e, em seguida, ir embora, acabou se retirando do estúdio. O ex-prefeito Eduardo Meohas e o ex-presidente da então Esamur, Marcos Bueno, foram convidados, porém não compareceram. Silvio de Carvalho lamentou o fato de não poder contar com os três debatedores ausentes que, segundo ele, poderiam esclarecer diversos aspectos da crise em que se encontra a empresa. O prefeito lembrou que desde 1999 a Resende Águas vem acumulando déficits que superam a casa de R$ 1 milhão. Com dívidas que chegam à casa dos R$ 15 milhões e precisando investir outros R$ 60 milhões, a companhia estaria perto de um colapso. “Só em 2000, ano da reeleição, o prejuízo da empresa passou dos R$ 5 milhões. Isso, somado à inadimplência e à ineficiência do sistema, deixam a empresa num quadro próximo de um colapso. É nossa responsabilidade como administrador não permitir que isso aconteça. Precisamos encontrar alternativas para superar os problemas. Por todos os números e informações que temos, acreditamos que a concessão é a melhor solução. Mais de 60 municípios brasileiros já utilizam esse modelo, com sucesso, realizando os investimentos necessários e recuperando a eficiência do sistema”, ponderou.
O petista João Alberto Stagi também lamentou a decisão do ex-prefeito Noel de Oliveira de retirar-se do estúdio e elogiou Silvio de Carvalho por colocar assunto de tamanha importância em debate. Ele ressaltou sua preocupação com uma possível perda de controle, por parte da administração municipal e da sociedade, sobre a Resende Águas, a partir da adoção da concessão, além de aumento da tarifa. “Água é um bem essencial à vida e com esse novo modelo quem não pagar certamente terá seu abastecimento interrompido”, disse. “A chave para termos o controle de todo o processo é o contrato que regerá a concessão”, rebateu Silvio.

Resende Águas careceu de administração profissional

O presidente da Associação dos Funcionários da Resende Águas, Marco Antônio Soares, reconheceu a saturação das estações de tratamento que abastecem Resende e que a empresa careceu de uma administração profissional nos últimos anos. Segundo ele, é preciso reduzir a inadimplência e fazer uma análise social do cadastro dos devedores. Com isso, crê ser dispensável a concessão.
O presidente da Resende Águas, Ivan Geraidine, se disse satisfeito por perceber que há vários pontos de convergência em torno dos problemas da companhia. “Basicamente concordamos que é preciso se fazer algo rapidamente para superar a séria crise em que a empresa se encontra. Temos convergência em muitos pontos e, a rigor, só uma divergência, quanto ao melhor modelo necessário para solucionarmos os problemas. Não temos a menor preocupação em debater com quem quer que seja esta questão, tanto que, mesmo sem precisar de autorização da câmara para iniciar o processo da concessão queremos, de forma totalmente transparente, debater esse tema com toda a sociedade. Tanto que na próxima terça-feira vamos retomar o debate, publicamente, pela Rádio Resende”, frisou Geraidine.