Voltar   Cloves Alves
POPULAÇÃO participa da campanha de prevenção a DSTs e Aids

Programa DST/Aids
Campanha de prevenção
Agentes realizaram a distribuição de preservativos e materiais informativos

RESENDE - O Programa DST/Aids estará realizando até amanhã uma campanha de prevenção da Aids e de doenças sexualmente transmissíveis. Ontem, no Calçadão de Campos Elíseos, agentes realizaram a distribuição de preservativos e materiais informativos a respeito das doenças que podem ser contraídas através das relações sexuais, principalmente a Aids.
Atualmente, 145 casos da doença estão registrados no programa, 74 homens, 67 mulheres, duas crianças e duas gestantes em acompanhamento. De acordo com Mônica Monteiro de Oliveira, assistente social do programa DST/Aids, nem sempre o bebê é infectado pelo vírus da mãe portadora. “Temos histórico de dez mães que eram portadoras do vírus e não infectaram seus bebês. Isso é possível graças aos exames que são feitos no pré-natal e ao acompanhamento da mulher durante toda a gestação através do tratamento feito com coquetel, criando a possibilidade de a criança nascer saudável e sem a doença ou o vírus”, destaca Mônica que fala também sobre o exame que detecta a presença do HIV no organismo. “Fazemos o exame de sangue no posto de saúde central de forma gratuita e totalmente sigilosa. É necessário marcar uma data em que a pessoa deverá ficar em jejum durante 12 horas e o exame é repetido duas vezes para a confirmação, pois pode acontecer de surgir o que chamamos de falso positivo. Se o vírus for detectado, o paciente é incluído no programa e passa a receber toda a assistência necessária”, diz.
O programa conta hoje com trabalho de assistência social, psicologia, pediatria, medicina e infectologia. “Esses profissionais estão capacitados para lidar com pacientes portadores do vírus ou da doença e fazem o aconselhamento para que essas pessoas possam viver da forma mais confortável possível, o que também é favorecido pela distribuição da medicação, sem a qual alguns pacientes não conseguem viver”, ressalta Mônica que aponta também a importância do uso do preservativo. “Essa semana de prevenção que estamos promovendo é apenas para chamar mais a atenção da população para a causa, mas o trabalho acontece de forma ininterrupta, durante todo o ano. Distribuímos preservativos nos principais postos de saúde do município e damos orientações a respeito da enorme importância da prevenção através do uso da camisinha, que é a única maneira de evitar as doenças transmitidas através das relações sexuais”, enfatiza.
A adoção de hábitos saudáveis de vida, como evitar fumar, não ingerir bebidas alcoólicas, uma alimentação balanceada, a prática de exercícios físicos pode aumentar a qualidade de vida dos portadores do vírus HIV, que se aproveita da baixa imunidade do organismo para favorecer o aparecimento de doenças, podendo até levar à morte.
Além do trabalho feito ontem em Campos Elíseos, o programa estará realizando, durante o restante da semana, palestras em escolas públicas.

Preconceito ainda é um problema

Apesar de a população mostrar que está consciente a respeito dos riscos que o HIV e as doenças sexualmente transmissíveis representam, o preconceito continua ocupando um grande espaço nas relações sociais. Haja vista o caso do atendente Mauro Veiga, 32 anos, que descobriu ser portador do vírus HIV em 2002, quando trabalhava em um supermercado do município.
Na ocasião, Mauro entrou com pedido de auxílio-doença no INSS e foi contemplado com o benefício, mas no ano seguinte, quando requisitou a aposentadoria por invalidez, o atendente teve uma grande surpresa. “Além de não terem me concedido a aposentadoria cortaram meu benefício do auxílio-doença. Eu não tenho condições de trabalhar porque tenho muita tontura e já caí na rua várias vezes por causa disso. A minha falta de condição para o trabalho está comprovada através de laudos médicos que simplesmente foram ignorados”, reclama Mauro que fala também sobre a dificuldade em encontrar um emprego. “O maior obstáculo que encontro hoje é não conseguir ingressar de novo no mercado de trabalho. Uma vez consegui ficar num emprego durante seis meses, mas alguém que sabe que tenho Aids falou pro meu chefe que eu estava doente e acabei sendo demitido. O preconceito realmente dificulta muito minha vida”, lamenta.
Pai de uma menina de quatro anos, o único meio de sobrevivência de Mauro é a aposentadoria de R$ 300 que a mãe recebe. A dificuldade só não é maior porque ele está cadastrado no programa DST/Aids, que doa os medicamentos e dá assistência médica e psicológica. “Se eu tivesse que comprar os remédios, aí ficaria impossível me manter. Não tenho condição nem de pagar a pensão para minha filha, e sei que ela precisa de mim”, reflete Mauro que aguarda uma definição da Justiça quanto à negativa de sua aposentadoria por invalidez pelo INSS.