ALÉM
DA PIPOCA
Aos gênios, as batatas!
Genial! Para muitos essa palavrinha
de seis letras representa algo inatingível.
Somente intelectos superiores são
merecedores de tal distinção.
Esse superlativo (e que superlativo)
não é nada perto dos filmes
do GENIAL (isso mesmo, com letras maiúsculas)
Stanley Kubrick.
Assim como uma história de cinema,
Kubrick sai de cena e morre em 1999,
logo após finalizar o polêmico
De Olhos Bem Fechados, com Tom Cruise
e Nicolle Kidman, deixando um legado
de 13 filmes e uma legião de fãs.
Considerado um dos mais importantes cineastas
do século XX, foi responsável
por uma obra muito elogiada pela crítica,
apesar de polêmica.
Auto denominado perfeccionista obsessivo,
Kubrick começou a carreira como
fotógrafo, aos 17 anos, trabalhando
para a revista Look. Em seguida dirigiu
o pouquíssimo visto Fear and Desire.
Mas foi apenas no seu quarto filme, Glória
Feita de Sangue, que obteve reconhecimento,
e ele foi considerado uma obra-prima
incontestável sobre a insanidade
da guerra.
Kubrick também é conhecido
pelas adaptações literárias.
Filmes como Lolita, do russo Vladimir
Nabokov, Laranja Mecânica, de Antony
Burgess e O Iluminado, de Stephen King,
são apenas alguns deles.
Assim como toda história que se
preze, a vida de Stanley Kubrick é repleta
de coincidências e fatos intrigantes.
Como, por exemplo, ter feito 13 filmes
e também receber 13 indicações
ao Oscar, ou criar polêmica até mesmo
em sua morte, 666 dias antes de 1º de
janeiro de 2001.
Em seus filmes a insanidade humana sempre
está presente. Seus personagens,
inclusive o intrigante computador HAL,
de 2001 – Uma Odisséia no
Espaço, vão enlouquecendo
pouco a pouco até atingirem a
insanidade total.
Outro detalhe, que fãs e críticos
não deixaram passar despercebidos, é que
pelo menos uma cena importante se passa
no banheiro. É o caso, por exemplo,
de Nascido para Matar, quando o Soldado
Pyle, totalmente enlouquecido com o treinamento
militar, mata a sangue frio o comandante
da tropa. Ou quando esse mesmo comandante
manda seus subordinados limparem o banheiro
e “deixarem tão limpos que
até a madre Tereza de Calcutá possa
cagar lá...
Seu extremo perfeccionismo o fez realizar
grandes filmes, entretanto, em alguns
casos, filmes que poderiam ter tido um
impacto maior pela crítica não
o obtiveram devido à demora em
sua finalização. É novamente
o caso de, em 1987, demorar para finalizar
Nascidos para Matar. Nesse meio tempo
Oliver Stone lançou Platton e
Francis Ford Coppola lançou Apocalipse
Now
Kurbrick ainda teve a genialidade de
realizar filmes memoráveis, como
Dr. Fantástico, que tem como pano
de fundo a guerra fria, satirizada com
rara felicidade e o polêmico e
violento Laranja Mecânica, em que
jovens ingleses se reúnem em gangues,
num futuro próximo, e se “divertem” estuprando
e praticando a famosa Ultra-Violence.
Kubrick chegou a declarar na época
que o desenho Tom & Jerry era mais
violento, pois mostrava violência
de forma positiva.
Seu perfeccionismo e filmes polêmicos
também o levaram a brigar com
Hollywood e mudar-se para a Europa. E
no velho continente, o conservadorismo
europeu proibiu a exibição
durante anos de seus filmes. Além
de ter arrumado brigas com a maioria
dos autores dos quais ele fez a adaptação
literária para o cinema.
Felipe Cruz é acadêmico
de jornalismo
do Centro Universitário
de Barra Mansa e apaixonado por cinema
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