Voltar   Beto Maximiano
De manhã, centenas de ativistas das duas chapas se aglomeraram em frente à sede do sindicato

SINDICATO DOS METALÚRGICOS
Liminares suspendem eleição
Perrut acata decisão e manda recolher as urnas

VOLTA REDONDA - Duas liminares acatadas ontem, por volta das 17 horas, pelo juiz André Luiz da Costa Carvalho, do Tribunal Regional do Trabalho de Volta Redonda (TRT), suspenderam as eleições no Sindicato dos Metalúrgicos, que começaram ontem e terminariam hoje. Uma das liminares foi impetrada pelo cipista Renato Soares - que pretendia entrar com a Chapa 3 - na Primeira Vara do Trabalho, e a outra no TRT, por um aposentado idenfificado apenas como Hamilton, ligado à Chapa 2, da Força Sindical.
O presidente do sindicato e candidato à reeleição pela Chapa 1, da CUT, Carlos Henrique Perrut, foi comunicado das liminares por dois oficiais de Justiça. Ele acatou a decisão judicial e mandou recolher as urnas, que ficarão na sede do sindicato, vigiadas por fiscais das duas chapas. Os advogados do sindicato tentarão cassar as liminares ainda hoje e, caso consigam, os votos já existentes serão válidos. Esses votos são de trabalhadores de outras empresas, como a Volkswagen, em Resende, e Saint Globain (antiga Companhia Metalúrgica Barbará), em Barra Mansa, entre outras pequenas metalúrgicas pertencentes ao quadro do Sindicato dos Metalúrgicos.

MUITO TUMULTO

Como já era previsto e sempre foi uma tradição, o primeiro dia das eleições para a presidência do sindicato foi marcado por muita confusão. Não por brigas entre ativistas das duas chapas que concorrem ao pleito, mas pelas batalhas judiciais. Outra liminar, concedida pelo juiz Celso Silva Filho, da Terceira Vara Criminal do município, aos membros da chapa 2, reivindicando a proporcionalidade nas mesas de votação - ou seja, que a mesa 1 seja presidida por um representante da chapa da CUT e a 2 por um membro da chapa da Força Sindical - impediu, ontem, que a direção do sindicato colocasse as urnas no interior da (CSN) para que a votação fosse iniciada às 8 horas, como manda o estatuto do órgão. Em conseqüência, os cerca de seis mil metalúrgicos que trabalham no interior da Usina Presidente Vargas - que representam 60% do total de dez mil votantes – não puderam votar.
Na mesma liminar, os representantes da Chapa 2 reivindicam o direito de indicar membros da Força Sindical, que não pertencem aos quadros da CSN, para trabalhar como mesários dentro da empresa, o que não foi permitido pela Companhia Siderúrgica Nacional. Apesar das inúmeras tentativas do Departamento Jurídico do sindicato, durante todo o dia de ontem, para cassar a liminar, até o início da noite o quadro era o mesmo da manhã. As urnas continuaram na porta da usina aguardando a decisão judicial.
“ Isso não é permitido. Não pode. Ele (Luizinho) sabia disso e descumpriu um acordo feito anteriormente entre as duas chapas. Isso é uma insanidade da parte dele. É uma irresponsabilidade porque ele está desesperado e sabe que vai perder as eleições, por isso quer que não dê quórum. É uma manobra dele”, denuncia Perrut, acrescentando que pelo estatuto do sindicato é necessário que pelo menos 30% dos trabalhadores votem, caso contrário o resultado das eleições não é considerado válido.

JOGO SUJO

A atitude do candidato da oposição foi classificada por Perrut como um “golpe sujo” e “uma atitude de quem já sabia que iria perder as eleições, já que, pelas pesquisas, temos 65% dos votos e ele, o Pinóquio (Luizinho), apenas 35%”, diz o líder sindical, sem esconder sua irritação. “Gastamos muito dinheiro para realizar essas eleições”, completa o presidente do sindicato.
Outra medida reivindicada pelo candidato da Chapa 2 é de que as urnas que ficam no interior da usina fossem colocadas em locais abertos, ao ar livre, o que também não é possível, segundo Perrut, que considerou a atitude de Luizinho uma traição do acordo feito entre os representantes das duas chapas, anteriormente. “Não há segurança para isso, a não ser que elas (urnas) fossem colocadas no interior do 28º Batalhão da Polícia Militar.“O que ele, o Pinóquio (Luizinho), quer com isso?”, indaga Perrut, para responder em seguida. “Quer atrapalhar, porque perdendo as eleições, o que já sabemos que vai acontecer, ele entrará na Justiça pedindo a anulação do pleito. Enfim, o que ele quer com tudo isso é prejudicar as eleições, porque tem certeza que vai perder, repito. Está desesperado. Ele está pior do que Maquiavel”, desabafa Perrut, ao mesmo tempo em que lamenta tudo que está acontecendo e pede desculpas aos trabalhadores pelos transtornos causados pelos membros da Chapa 2.